O distrito da luz vermelha de Amsterdã poderá em breve ser uma memória distante — e aqui está o porquê

O que já pareceu uma abordagem revolucionária para prostituição na Holanda agora é claramente vista como um desastre, por todos, exceto aqueles que procuram lucrar com isso


Escrito por Julie Bindel para o Independet.co.uk. Autora do best seller Pimping of Prostitution: Abolishing the Sex Work Myth

Traduzido por Lia Rodrigues para a QG Feminista

De Wallen is the red light district of Amsterdam, and Dutch politicians are considering a new law to criminalise punters for engaging with a prostitute who may have been trafficked
De Wallen é o distrito da luz vermelha de Amesterdã, e políticos holandeses estão considerando uma nova lei para criminalizar os clientes por contratarem uma prostituta que pode ter sido traficadas — Foto: AFP

De Wallen, o infame distrito da luz vermelha em Amsterdã, Holanda, está sob ameaça. Muitos de seus bordéis de vitrine, em que as mulheres são exibidas como carcaças para o entretenimento de turistas sexuais, estão fechando. A maioria das zonas de prostituição de rua legais pelo país fecharam e, em breve, eles todas deixarão de funcionar. Um número de políticos e as autoridades agora estão aceitando que a prostituição legalizada tem sido um desastre completo. Atualmente há uma proposta de lei que está sendo considerada pelo Senado Holandês que, se passar, poderia resultar nos compradores sexuais sendo criminalizados se pagassem por sexo com uma mulher traficada, cafetinada ou coagida de alguma maneira. Estas mudanças são o resultado de um vibrante movimento abolicionista do comércio do sexo emergindo na Holanda

Os holandeses legalizaram sua indústria de bordeis no ano 2000. O governo prometeu que isto resultaria em segurança para as mulheres e o fim para o tráfico. Reivindicou que tudo estaria às claras, seguro e limpo. O oposto aconteceu. O turismo sexual é agora uma indústria enorme, com homens britânicos sendo um dos grupos de Europeus que visitam a cidade para pagar por sexo. Um número de clientes que eu entrevistei me disseram que nem sonhariam em usar mulheres prostituídas no país onde eles vivem, mas estar na Holanda lhes deu essa permissão.

O ilegal e não licenciado comércio sexual cresceu sob a legalização, o tráfico de mulheres aumentou dramaticamente, a demanda está em ascensão e as mulheres certamente não estão mais seguras do que estavam quando a cafetinagem era ilegal.

Eu tenho visitado a Holanda no decorrer de 15 anos, pesquisando as consequências da legalização. Eu entrevistei os compradores de sexo (incluindo um que me disse que pagou por sexo pela primeira vez quando tinha 12 anos), as mulheres nos bordeis, os cafetões e os lobistas pró-legalização que lucram às custas de mulheres prostituídas.

Xaviera Hollander é uma grande parte da máquina de propaganda que promove a noção de que mulheres prostituídas sob a legalização estão muito bem. Hollander é conhecida por seu livro de memórias publicado em 1972, The Happy Hooker: My Own Story (“A Prostituta Feliz: Minha Própria História”), que foi vendido aos montes. Fui visitá-la em sua casa em Amsterdã, para perguntar se ela acha que as mulheres são felizes sob a legalização. Ela me admitiu que o tráfico está em ascensão e que a legalização está longe de remover efetivamente a criminalidade do comércio do sexo. Vindo de uma ex-cafetina, isto é algo extraordinário.

Há um grande número de guias de turismo que oferecem excursões em torno das áreas de luzes vermelhas de Amsterdã. Eu fui em uma dessas tours ano passado e foi dito que a legalização é um modelo perfeito, que as mulheres estão seguras e felizes e o público aceita os bordeis de vitrine como parte da arquitetura. Eu perguntei ao guia de onde ele tirou essa informação e ele disse que o Centro de Informação de Prostituição (Prostitution Information Centre — PIC) fornece, por uma taxa, informação para todas as companhias de turismo.

O Centro de Informação de Prostituição funciona como um negócio de mulheres que dizem ser “trabalhadoras do sexo”. Na realidade, elas não parecem ser nada disso, sendo uma companhia cobrando por essas orientações e, portanto; lucrando com a prostituição.

O que uma vez parecia uma abordagem revolucionária para prostituição na Holanda agora é claramente vista como um desastre, por todos, exceto aqueles que procuram fazer lucrar com a prostituição.

Jolanda Boer é um promotor público sênior se especializando em tráfico humano. Nos últimos anos, Boer investigou mais de 100 desses casos em Amsterdã. “Houve casos em que a garota tinha sido estuprada por seus cafetões e ameaçada para trabalhar atrás das vitrines. As mulheres não estão em posição de dizer livremente às pessoas quando algo vai mal. Mas é claro que elas estão sorrindo, porque se você não sorrir não vai conseguir um cliente” diz Boer.

No sábado, falei com uma sala lotada sobre o meu livro sobre o comércio sexual global. O evento foi realizado no distrito da luz vermelha, em um prédio que tinha sido anteriormente um salão de massagens chinesas oferecendo “finais felizes”. Eu esperava algum tipo de protesto ou infiltração pelo lobby pro-prostituição. Mas cada pessoa na sala estava lá porque reconheceram que a prostituição é um abuso de direitos humanos, prejudicial às mulheres envolvidas e que a legalização foi desastrosa.

No dia seguinte eu estava em Haia, a casa do parlamento Holandês, lançando meu livro na frente de dúzias de cidadãos preocupados, todos que já aguentaram bastante da Holanda sendo tratada como modelo perfeito em lidar com a prostituição. Depois do lançamento, dezenas de nós marchamos ao longo do distrito da luz vermelha local, levantando faixas e cartazes com dizeres como “Acabem com o comércio sexual” e “Já chega!”. Foi o primeiro protesto contra os bordeis legalizados.

O império holandês está se desintegrando. Mais de um terço de todos os bordeis de vitrine fecharam e mais perderão logo suas licenças. Um grupo de 10 traficantes húngaros estão atualmente sendo julgados em Haia e muitos relatórios do julgamento ligam o tráfico de mulheres ao modelo legalizado. Há um grande caminho a percorrer, mas agora que feministas estão tendo a audácia de falar contra o desastroso modelo Holandês de legalização, não tem como voltar atrás.

O modelo germânico está produzindo o inferno na terra

Discurso de Dra. Ingerborg Kraus em Vancouver, Canadá, em 20 de setembro de 2016 para “International Approaches to Prostitution: Sweden, Germany, Canada” para uma plateia de 200 pessoas no Orpheum Annex.
A apresentação foi patrocinada por Aboriginal Women’s Organizing Network; Asian Women Coalition Ending Prostitution; Formerly Exploited Voices Now Educating; Foy Allison Law; Resist Exploitation, Embrace Dignity; University Women’s Club of Vancouver; Vancouver Rape Relief and Women’s Shelter e foi reproduzida no Trauma and Prostitution
Traduzido pelo Feminismo Radical Didático

Prostituição sempre foi legal na Alemanha, exceto por um curto período de tempo no início do século 20. [1] A Alemanha instituiu uma lei em 2002 que tentou transformar a prostituição em um trabalho como outro qualquer. Os políticos pensaram que não era a prostituição em si o problema, mas a discriminação das mulheres (prostituídas) pela sociedade e o lapso de direitos que elas tinham.

Considerando o problema dessa perspectiva, eles quiseram fortalecer as mulheres o melhor possível. (Eles disseram): prostituição não deveria mais ser vista como algo “contra os bons costumes”, mas como um trabalho. De agora em diante, as mulheres seriam consideradas trabalhadoras, “trabalhadoras sexuais”. E se elas são trabalhadoras, elas deveriam ter os mesmos direitos que qualquer trabalhador que gerencia um negócio ou um empregado em outra atividade, como ter seguro social, ou se seus direitos não forem respeitados, elas deveriam ter o direito de reclamar por vias legais. O estado não queria regulamentar as práticas sexuais. Eles disseram que ninguém pode dizer como as pessoas deveriam fazer sexo. E como eles tinham um negócio, eles também estavam liberados para fazer propaganda dele. Então a nova lei revogava a restrição de promover a prostituição.

Quinze anos depois da aprovação da lei, os resultados são os seguintes:

Nós estamos observando uma industrialização da prostituição

· A renda total é de 14,6 bilhões de euros com 3.500 bordeis legalizados [2]. Esses não os números oficiais. Há muitos bordeis não legalizados.

· A criação de megabordeis com a capacidade de acomodar aproximadamente 1000 clientes de sexo de uma vez ou até mais. [3]

· O crescimento da demanda: 15 anos atrás era estimado que 400.000 mulheres estivessem na prostituição. Hoje muitos oficiais da polícia dizem que o número aumentou em pelo menos 30%.

· Você não precisa mais ir a Tailândia para turismo sexual, você vê turistas sexuais de todo o mundo chegando em grupos — ônibus transportam turistas direto do aeroporto de Frankfurt para os megabordeis.

Novas garotas no bordel Calígula em Berlim. A absoluta sex-oferta matadora: 20min = 20 euros.

Nós temos bordéis “taxa única”. Por 70 euros eles oferecem uma cerveja, uma salsicha e mulheres ilimitadas. Uma cadeia de bordeis “taxa-única” chamada “Pussy-Club” foi manchete quando, no dia de sua inauguração em junho de 2009, 1700 homens formaram fila para entrar. As longas filas do lado de fora do quarto das mulheres duraram até a hora do fechamento quando muitas mulheres entraram em colapso devido à exaustão, dores, ferimentos, e infecções, incluindo dolorosas coceiras e infecções por fungos que se espalhavam dos seus genitais pelas pernas abaixo. [4]

Nós observamos a redução do pagamento para as mulheres: 30 euros para relação sexual, enquanto elas devem pagar em torno de 160 euros pelo quarto e 25 euros de impostos por dia. Então elas têm que servir 6 homens antes de começar a ganhar qualquer dinheiro. Nas ruas o pagamento começa em 5 euros.

“Verrichtungsboxen”, os bordéis-estábulos.

As condições de trabalho tornaram-se um desastre. Eles desenvolveram “Verrichtungsboxen”, que significa “coisas que são feitas em uma caixa”, como estábulos, sem água, banhei­­ros, nada.

Prostíbulos em garagens.

Ou prostíbulos garagem.

Vemos a banalização da prostituição:

· Publicidade em todos os lugares. O guia turístico oficial de Munique tem promoções para bordeis.

· Recrutamento de mulheres na rua como “acompanhantes femininas”.

· É comum que jovens celebrem a graduação escolar em bordeis.

· Uma visita turística dos bordeis é oferecida para novos estudantes em Berlim.

Inauguração do distrito “red light” em Frankfurt, setembro de 2016.

Ou aqui, há duas semanas em Frankfurt: uma tarde de inauguração no distrito “red light”(*). Mesmo sabendo que o distrito está nas mãos dos Hells Angels, um grupo do crime organizado, os habitantes vieram comemorar o dia.

Violência contra mulher tornou-se violência estrutural, significa que a sociedade, instituições (as autoridades políticas, educacionais, executivas e legislativas) não estão mais a questionando. A violência está internalizada.

Vitrine de uma boutique de roupas comuns na minha cidade, setembro de 2016.

Aqui na minha cidade, também há 2 semanas atrás: essa é uma boutique normal que teve a ideia de fazer publicidade desse jeito. A prostituição afeta a todos, não somente as mulheres na prostituição.

A meta da lei — que era proteger e dar apoio para as mulheres na prostituição — falhou completamente: dessas 400.000 mulheres, apenas 44 são registradas como proprietárias de negócios. [6] Mais da metade dessas mulheres trabalham ilegalmente, significando que elas não têm qualquer seguro social e não têm acesso aos serviços médicos na Alemanha. (1) Então, mesmo que elas tenham uma gripe, elas não têm a possibilidade de se consultar com um médico. Existe um enorme problema com mulheres grávidas que não podem pagar por um aborto ou nascimento da criança em um hospital. Muito frequentemente elas abandonam a criança. [7]

Os inspetores de polícia dizem sentir-se desamparados. Manfred Paulus, um inspetor criminal que trabalhou por anos em campo, diz que com essa lei a Alemanha tornou-se o Eldorado para traficantes, cafetões e donos de bordeis. [8] As mulheres que vêm do exterior para trabalhar no distrito “red light” não conhecem a Alemanha que os alemães conhecem e desfrutam. Não, elas são prisioneiras de uma sociedade paralela de alta criminalidade. [9]

Essas mulheres vivem sob o medo constante: o medo de clientes violentos, medo de não ganhar o suficiente para pagar os custos fixos diários, o medo de adoecer, o medo de engravidar, o medo da polícia, o medo dos cafetões, o medo dos donos dos bordeis, o medo da competição…

A lei de 2002 não ajudou a prevenir o tráfico: em 2000, 151 pessoas foram condenadas por tráfico humano, em 2011 apenas 32. A polícia registrou 636 casos de mulheres traficadas em 2011, 3 vezes menos que 10 anos antes. 13 delas tinham menos que 14 anos, 77 tinham menos de 18. [10] A polícia reclama que tem pouco poder para intervir na situação, porque sem provas inquestionáveis, eles não podem entrar nos bordeis. Além disso, os procedimentos legais dependem do depoimento das mulheres. E muitas das vezes elas estão com medo demais para prestar testemunho e os trâmites são paralisados. [11]

A lei que proíbe a cafetinagem era fácil de contornar, eles simplesmente se tornaram hoteleiros alugando quartos para as profissionais do sexo.

Estima-se que 1,2 milhões de homens compram sexo todos os dias. 18% são consumidores regulares, 80% já estiveram em bordel. [12]

Nós observamos a crescente perversão entre os clientes do sexo. Práticas estão se tornando mais perigosas com o aumento da violência contra as mulheres e o lapso de proteção para elas. Foram feitas pesquisas que examinam a violência na prostituição:

  • O estudo de Zumbek em 2001 na Alemanha descobriu que 70% das prostitutas sofreram violência física. [13]
  • O estudo feito pelo Ministério da Família da Alemanha em 2004 declarou que: 82% mencionaram sofrer violência psicológica, 92% sofreram violência sexual.[14]

Apenas considerando esses números, é difícil dizer que esse é um trabalho como outro qualquer. E essas pesquisas datam de mais de 10 anos atrás — As coisas pioraram muito na Alemanha.

Isso é o que a dominatrix Ellen Templin já tinha observado em 2007: “Desde a regulamentação podemos observar que não apenas a propaganda tornou-se sem inibições, os clientes de sexo tornaram-se mais brutais. Isso foi de dia pra noite. Hoje em dia, se você diz: “Não, eu não faço isso,” você geralmente obterá a resposta, “Vamos lá, não seja tão difícil, esse é o seu trabalho”. Antes era proibido requisitar sexo sem proteção. Hoje, clientes perguntam ao telefone se eles podem urinar no seu rosto, querem fazer sexo sem camisinha, querem fazer anal e oral sem preservativo. Nos dias de hoje isso é comum. Antes os clientes ainda tinham a consciência culpada. Isso não existe mais hoje, eles querem mais e mais.” [15]

Existe um “cardápio” circulando na internet, onde clientes podem escolher o que eles querem numa longa lista à la carte. [16]

Eu vou dar alguns exemplos:

AF = Algierfranzösisch (Zungenanal) — língua anal.

AFF = Analer Faustfick (die ganze Hand im Hintereingang) — Fist Fucking anal (enfia-se a mão até o punho no ânus).

AO = alles ohne Gummi — Tudo sem camisinha.

Braun-weiß = Spiele mit Scheiße und Sperma — Brincar com fezes e esperma.

DP = Doppelpack (Sex mit zwei Frauen) oder: double Penetration (zwei Männer in einer Frau) — Sexo com 2 mulheres ou dupla penetração (2 homens e 1 mulher).

EL = Eierlecken — Lamber o saco escrotal.

FFT = Faustfick total — Fist Fuck total.

FP = Französisch pur (Blasen ohne Gummi und ohne Aufnahme) — Oral sem camisinha.

FT = Französisch total doppeldeutig: Blasen ohne Gummi mit Spermaschlucken und seltener:Blasen ohne Gummi bis zum Finale — Oral sem camisinha e engolindo o esperma.

GB = Gesichtsbesamung (manchmal auch Gangbang, also Gruppensex, aber mit deutlichem Männerüberschuss) Ejacular no rosto.

GS = Gruppensex — Sexo Grupal.

Kvp = Kaviar Passiv (Frau lässt sich anscheißen) — Homem defeca em mulher.

SW = Sandwich, eine Frau zwischen zwei Männern — Uma mulher entre dois homens.

tbl, = tabulos, ALLES ist erlaubt — Sem tabu, TUDO é permitido.

ZA = Zungenanal (am / im Hintereingang lecken) — Lamber o ânus.

Existem sites na internet em que clientes dividem suas experiências onde você pode ler: “Eu abri as bandas da bunda dela e devagar empurrei meu pau dentro dela, o que foi acompanhado por um gemido baixo. Quando eu estava perto de terminar e fodendo ela cada vez mais e mais violentamente, ela queria que eu parasse e fodesse ela na vagina. Eu não queria. Desculpa, Vanessa! Depois de mais algumas estocadas violentas eu disparei minha munição e empurrei fundo nela de novo.” [17]

Promoção: Novas garotas por 40 euros.

Os compradores de sexo querem distração. Mulheres são chamadas “Frischfleisch”, que significa: carne fresca. Mais da metade das prostitutas não tem endereço fixo, mas são mandadas de uma cidade para outra. Às vezes, elas nem mesmo sabem em que cidade estão. As mulheres vivem em bordeis, comem e dormem no mesmo quarto em que servem os compradores de sexo. Elas dormem aproximadamente 5 horas por dia. O resto do tempo, elas devem estar prontas para os clientes. Aqui está uma propaganda anunciando novas garotas.

Existe um estudo médico recente de um ginecologista, Dr. Wolfgang Heide, que está trabalhando com mulheres prostituídas. As condições de saúde dessas mulheres são catastróficas. Com 30 anos elas já estão comumente envelhecidas precocemente. Todas as mulheres têm dores abdominais persistentes. Gastrite e infecções frequentes, também em decorrência das condições de vida e saúde precárias. E claro, todos os tipos de doenças sexualmente transmissíveis.

Na quarta-feira estamos organizando uma festa de sexo grupal com a garota de 19 anos Tina, grávida de 6 meses, 35 euros.

O trauma psicológico só pode ser suportado com álcool e drogas farmacêuticas. Ele avisa sobre o crescimento da demanda por mulheres grávidas na prostituição. Essas mulheres tem que servir de 15 a 40 homens por dia continuamente até darem a luz. Muitas vezes, elas abandonam a criança para voltar ao trabalho o mais rápido possível. Algumas 3 dias depois de dar a luz. Essas práticas são totalmente irresponsáveis para a saúde da mãe e da criança. Podem causar danos irreversíveis para a criança ainda no ventre. E toda mãe sabe que leva um tempo depois do parto antes que a relação sexual seja possível de novo sem provocar dor. [18]

Sob essas condições, nenhuma mulher alemã se acha capaz de fazer esse “trabalho”. O retrato das mulheres na prostituição mudou. Com a abertura da Europa para o leste, mulheres vêm das regiões mais pobres da Europa: Romênia, Bulgária — e geralmente minorias como os Romani que vivem na extrema pobreza. Hoje, cerca de 95% das prostitutas vem de outros países. Tornou-se a prostituição da pobreza. [19]

Sabine Constabel, assistente social que trabalhou em Stuttgart com mulheres prostituídas por mais de 20 anos, disse o seguinte: “30% dessas mulheres são jovens, abaixo dos 21 anos de idade. Geralmente sacrificadas pela própria família para ajudá-los financeiramente. A maioria não fala alemão, e algumas delas são analfabetas. E frequentemente eram virgens antes. Essas jovens vêm para Alemanha e são sujeitadas aos desejos mais perversos dos clientes. Elas não são capazes de dizer “não”, de se defender. Elas são completamente subjugadas pela situação e completamente traumatizadas por ela. Muitas delas pedem drogas psicotrópicas imediatamente depois da primeira experiência. Elas dizem: “De outra forma, não dá pra sobreviver a isso.” Algumas delas estão há apenas poucos dias na prostituição e dizem: “Eu estou morta aqui, e não posso mais sorrir.” Outras aguentam por anos e dizem: “Eu tenho crianças em casa, eu tenho que sustentá-las.” Essas mulheres estão muito traumatizadas, elas desenvolvem depressão, pesadelos e problemas físicos; elas somatizam, têm dores no estômago, ficam doentes e sofrem. Elas se tornam desesperançadas, elas não querem fazer esse trabalho horrendo.” [20]

Eu fui convidado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para falar na conferência de Dublin [21] no ano que vem sobre a saúde mental das mulheres prostituídas na Alemanha. O que eu posso dizer? O que é a situação da saúde mental de uma mulher ser reduzida a um pedaço de carne? Elas estão totalmente destruídas. Uma mulher que está trabalhando em um programa de ajuda para mulheres que desejam sair da prostituição me disse que existem poucas mulheres saindo da prostituição. Elas ficarão até o colapso físico. É só uma questão de tempo. Eu pergunto a mim mesmo, por que é assim? Porque a vontade delas foi quebrada. Elas não estão mais existindo como pessoa que tem uma identidade e um futuro que elas podem imaginar para elas. Nós estamos falando sobre um processo de trauma complexo.

O modelo germânico está produzindo o inferno na terra. As vidas e os direitos dessas mulheres estão sendo sacrificados, mas pelo que? Eles estão defendendo a nossa democracia? É para proteger nossa terra de invasores ou terrorismo? Não, essas mulheres estão sendo sacrificadas para que alguns homens possam ter sexo quando eles quiserem e com quem eles quiserem. E esse é o problema. Nós temos que focar nos compradores de sexo.

O comprador de sexo é uma construção social, não é uma fatalidade, um destino. Os números pelo mundo inteiro provam: Na Inglaterra, 7% dos homens são clientes da prostituição, na Espanha 39%, 37% no Japão, 73% na Tailândia…[23]. Isso é resultado de uma educação desigual entre os gêneros. A prostituição não resolve os problemas dos homens, está aumentando o medo deles de entrar em um relacionamento igualitário com as mulheres. [23]

ingeborg kraus - nova geração de homens

Quando nós falamos de prostituição, nós temos que pensar em que tipo de sociedade nós queremos, não apenas em termos de redução de danos. Nós precisamos de uma nova geração de homens que não recorra à exploração sexual e dominação das mulheres para definir a si mesmo. [24] É falacioso pensar que a sexualidade masculina não é controlável. Homens têm que aprender novos meios de lidar com as frustrações.

Normalizar prostituição significa cimentar a desigualdade entre homens e mulheres e aceitar a violência contra mulheres. E isso diz respeito a todos nós, mulheres e homens. É por isso que a Alemanha precisa do modelo nórdico.

Obrigado!


Bibliografia:

[1] Manuela Schon: Legalized prostitution turned Germany into the bordello of europe, we should be ashamed, 09.05.2016, in Feministcurrent: http://www.feministcurrent.com/2016/05/09/legalization-has-turned-germany-into-the-bordello-of-europe-we-should-be-ashamed/

[2] Michael Jürgs: Sklavenmarkt Europa, 2014, Bertelsmann, P. 327.

[3] Chantal Louis : Die Folgen der Prostitution , Alice Schwarzer HG, Prostitution, ein Deutscher Skandal, 2013, KIWI, p. 70–87.

[4] Der Spiegel: Bordell Deutschland. 27.05.2013 . http://www.spiegel.de/international/germany/human-trafficking-persists-despite-legality-of-prostitution-in-germany-a-902533-2.html

[5] Radio Interview with the Domina Ellen Templin, 08.03.2010. http://abolition2014.blogspot.de/2014/05/interview-mit-einer-domina.html

[6] TERRE DES FEMMES: http://frauenrechte.de/online/index.php/themen-und-aktionen/frauenhandel/prostitution

[7] Dr. Lutz Besser: Stellungnahme zur Anhörung zum Entwurf eines Gesetzes zur Regelung des Prostitutionsgewerbes sowie zu Schutz von in der Prostitution tätigen Personen. 04.06.2016. http://www.trauma-and-prostitution.eu/2016/06/04/lutz-besser-stellungnahme-zum-prostituiertenschutzg/

[8] Manfred Paulus: Menschenhandel, 2014, Verlag Klemm+Oelschläger, p. 107.

[9] Manfred Paulus: Menschenhandel, 2014, Verlag Klemm+Oelschläger, p. 112.

[10] Geneviève Duché: Non au système prostitutionnel, 2015, Editions Persée, p. 170.

[11] http://www.spiegel.de/international/germany/human-trafficking-persists-despite-legality-of-prostitution-in-germany-a-902533-2.html

[12] Udo Gerheim, die Produktion des Freiers, 2012, Transcript, p. 7.

[13] Zumbeck, Sibylle: « Die Prävalenz traumatischer Erfahrungen, Posttraumatische Belastungsstörungen und Dissoziation bei Prostituierten », Hamburg, 2001.

[14] Studie von Schröttle & Müller 2004 in: Bundesministerium für Familie, Senioren, Frauen und Jugend : Gender Datenreport, Kapitel 10: Gewalthandlungen und Gewaltbetroffenheit von Frauen und Männern, 2004, p. 651–652.

[15] Radio Interview mit Ellen Templin am 08.03.2010: http://www.wueste-welle.de/redaktion/view/id/114/tab/weblog/article/34860/Interview_mit_einer_Domina.html

[16] http://www.traummaennlein.de/

[17] www.freiersblick.de

[18] Dr. Wolfgang Heide: Stellungnahme zur öffentlichen Anhörung zur „Regulierung des Prostitutionsgewerbes“ im Ausschuss für Familie, Senioren, Frauen und Gesundheit im Deutschen Bundestag am 06. Juni 2016 http://www.trauma-and-prostitution.eu/2016/06/05/stellungnahme-von-wolfgang-heide-facharzt-fuer-gynaekologie-und-geburtshilfe/

[19] Manfred Paulus: Menschenhandel, 2004, Verlag Klemm+Oelschläger, p. 109.

[20] TV Interview with Sabine Constabe, 17.03.2013 in SWR1 Leute:

https://www.youtube.com/watch?v=BpCPKDRcFg0

[21] http://iawmh2017.org/wp/

[22] Claudine Legardinier: Prostitution: une guerre contre les femmes, 2015, Editions Syllepse, p. 95.

[23] Claudine Legardinier und Said Bouamama: Les clients de la prostitution, 2006, Presses de la Renaissance, p. 235.

[24] Udo Gerheim: die Produktion des Freiers, 2012, Transcript, p. 297.

Modelo nórdico & Modelos legislativos que abordam prostituição

Escrito no Task Force on Human Trafficking & Prostitution

Traduzido por Carol Correia


O modelo nórdico

Em 1999, a Suécia aprovou legislação para criminalizar a compra de serviços sexuais. Essa legislação, conhecida como Modelo Nórdico, entende que a maneira mais eficiente de combater o tráfico sexual e a prostituição é reduzir a demanda por serviços sexuais pagos. A legislação baseada no Modelo Nórdico provou ser um impedimento efetivo para potenciais compradores de sexo. A Islândia, a Finlândia e a Noruega adotaram o Modelo Nórdico e testemunharam declínios significativos em todas as formas de prostituição, incluindo tráfico sexual e prostituição infantil. Recentemente, o Comitê de Direitos da Mulher e Igualdade de Gênero do Parlamento Europeu recomendou que a União Européia adotasse o Modelo Nórdico.

O que é o modelo nórdico? (uma breve explicação do site do Equality Now).

 

Modelos legislativos que abordam prostituição

Na tentativa de regulamentar a prostituição, vários países a legalizaram. Alemanha, Holanda e partes da Nova Zelândia e Austrália adotaram essa abordagem. No entanto, todos estes países testemunharam, subsequentemente, um vasto aumento do tráfico sexual e outras formas de prostituição, incluindo a prostituição infantil.

Embora a Holanda tenha legalizado a prostituição em 2000, apenas mil das cerca de 30 mil prostitutas do país conseguiram cumprir os critérios legais para se tornarem profissionais do sexo licenciadas. Além disso, o governo e as organizações sem fins lucrativos relataram um aumento acentuado de formas ilegais de prostituição, especialmente a prostituição infantil.

A Alemanha legalizou a prostituição em 2001. Em 2010, funcionários do governo disseram que o tráfico sexual para a Alemanha havia aumentado drasticamente. O aumento foi atribuído à legalização, o que tornou a Alemanha um mercado mais atraente para traficantes e cafetões. Você pode ler mais informações aqui e aqui.

A prostituição é legalizada na Nova Zelândia e em partes da Austrália. Em Queensland, na Austrália (onde a prostituição é legal), constatou-se que 90% da prostituição era ilegal e que a legalização só servia para fortalecer e enriquecer os proxenetas e os gerentes dos bordeis. Pessoas prostituídas na Nova Zelândia relataram que a legalização não as protegeu da violência e as organizações de mulheres expressaram sua preocupação com as muitas jovens que continuam a prostituir-se. Você pode ler mais informações aqui.

Ficou demonstrado que a prostituição não pode ser regulada e que a legalização não traz emancipação às mulheres e homens presos no comércio sexual. A legalização transforma os proxenetas em gerentes, empresários e compradores de sexo em clientes e legitima o abuso daqueles na prostituição.

Ao legalizar a prostituição, os Estados declaram que é aceitável comprar os corpos de algumas mulheres (geralmente mulheres pobres e marginalizadas) e essa atitude contribui para criar uma cultura de prostituição que afeta negativamente o progresso de todas as mulheres.

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Precisa de mais razões para apoiar o modelo nórdico? 10 razões para não legalizar a prostituição e a resposta legal para a demanda da prostituição, pela Prof. Janice G. Raymond.

10 razões para a prostituição não ser legalizada, por Janice Raymond

Escrito por Janice Raymond, diretora co-executiva da Coalizão contra o Tráfico de Mulheres – CATW.

Traduzido por Priscila Siqueira.


A seguinte argumentação se aplica a todas as formas de apoio oficial à prostituição, incluindo não somente a legalização total de bordeis e atuação dos cafetões, mas também a descriminalização da Indústria Sexual, a regulamentação da prostituição por leis como o registro das prostitutas ou os exames de saúde obrigatórios para as mulheres, ou qualquer sistema no qual a prostituição seja reconhecida como “trabalho sexual” ou defendida como uma opção de trabalho.

2

1. Legalização/Descriminalização da prostituição é um presente para os cafetões, traficantes de mulheres e a indústria sexual.

O que significa a legalização da prostituição ou a descriminação da indústria do sexo? Na Holanda, a legalização favorece todos os aspectos da Indústria Sexual: as próprias mulheres, os chamados “clientes”, os cafetões que – sob o regime da legalização – são transformados em parceiros comerciais terceirizados e legítimos empreendedores sexuais.

A legalização/descriminalização da indústria sexual também converte os bordeis, clubes de sexo, casas de massagem e outros lugares de prostituição em locais legítimos, onde as atividades sexuais remuneradas são permitidas legalmente com poucas restrições.

As pessoas acreditam que, advogando a legalização e descriminalização da prostituição, elas estão dignificando e profissionalizando as mulheres que vivem na prostituição. Mas dignificar a prostituição como trabalho, não significa dignificar as mulheres, mas simplesmente “dignificar” ou facilitar a vida da indústria sexual. As pessoas não percebem que a descriminalização, por exemplo, significa a descriminalização de toda a indústria sexual, não somente das mulheres. E eles não pensaram sobre as consequências da legalização dos cafetões como empresários sexuais legais ou homens de negócios que terceirizariam a atividade da prostituta ou o fato de que os homens que compram as mulheres para a atividade sexual, seriam, então, aceitos como legítimos consumidores de sexo.

3

2. Legalização/descriminalização da prostituição e da indústria sexual promove o tráfico sexual.

A legalização/descriminalização das indústrias da prostituição é uma das raízes do tráfico sexual. Um dos argumentos usados para legalização da prostituição na Holanda foi a do que tal medida legal iria ajudar acabar com a exploração das desesperadas mulheres imigrantes traficadas para a prostituição. Um levantamento feito pelo Grupo Budapeste (governamental) que atesta que 80% das mulheres dos bordeis na Holanda são traficadas de outros países (Budapeste Group, 1999:11). Já em 1994, a Organização Internacional  de Imigração (IOM) declarava que somente na Holanda perto de 70% das mulheres traficadas eram oriundas dos países da Europa Central e do Leste Europeu. (IOM, 1995:4)

O Governo da Holanda se declara o campeão de políticas e programas antitráfico de seres humanos, ainda que cinicamente tenha removido todo e qualquer impedimento à cafetinagem, aliciamento de mulheres e bordeis. Em 2000, o Ministro da Justiça holandês reivindicou uma quota legal de trabalhadoras sexuais estrangeiras, já que o mercado holandês de prostituição demandava uma variedade de “corpos” (Dutting, 2001:16) Também no ano de 2000, o Governo Holandês reivindicou e conseguiu uma sentença  da Corte Europeia reconhecendo a prostituição como uma atividade econômica. Assim,  as mulheres da União Europeia  e dos países do antigo Bloco da União Soviética  se habilitaram a obter suas permissões de trabalho como “trabalhadores sexuais” na indústria holandesa do sexo, caso provassem estar empregadas (Dutting, 2001:16). As ONGs holandesas atestaram que os traficantes estão tirando vantagem das leis que permitem a vinda de mulheres estrangeiras pra a indústria da  prostituição na Holanda. Essas leis  mascaram o fato das mulheres terem sido traficadas e por obrigar as mulheres imigrantes a se autodefinirem como “trabalhadoras sexuais” para poderem entrar no país.

Em janeiro de 2002, a prostituição na Alemanha foi totalmente implementada como um emprego legítimo depois de ter sido legalizada nas assim chamadas zonas de tolerância ou  “Eros”. Promover a prostituição, a cafetinagem  e os bordeis, são agora atividades legais na Alemanha. Já em 1993, depois que os primeiros passos para a legalização da prostituição foram tomados, até mesmo os que defendiam essa medida reconheceram que 75% das mulheres que viviam na prostituição na Alemanha eram estrangeiras procedentes do Uruguai, Argentina, Paraguai e outros países da América do Sul (Altink, 1993:33). Depois da queda do Muro de Berlim, os proprietários de bordeis declararam que 9 entre 10 mulheres na indústria do sexo na Alemanha vinham dos países do Leste Europeu (Altink, 1993:43) e de outros países da antiga União Soviética.

É evidente o volume de mulheres estrangeiras que estão na indústria sexual na Alemanha. Algumas ONGs estimam que, atualmente, o número de estrangeiras  ultrapassa  a 85% das mulheres em estado de prostituição. Esse dado suscita a dúvida de que um tal número de mulheres pudesse ter entrado na Alemanha se não houvesse facilidade para tanto. Como na Holanda, as ONGs afirmam que a maior parte das mulheres estrangeiras foram traficadas para este país já que é quase impossível para as mulheres pobres financiar sua própria imigração, bancar os custos da viagem, os documentos necessários, bem como estabelecerem-se no negócio sem uma ajuda externa.

A ligação entre a legalização da prostituição e o tráfico de mulheres na Austrália foi reconhecido no relatório sobre Direitos Humanos, do Departamento de Estado dos USA, publicado por seu Escritório sobre os Assuntos de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho, em 1999. No relatório sobre a Austrália, notou-se que no estado de Vitória que havia legalizado a prostituição nos anos 80, “o tráfico das mulheres vindas da Ásia Ocidental para o comércio sexual é um problema crescente;  na Austrália… as leis que legalizaram a prostituição em diversas regiões do País, dificultaram os esforços antitráfico de seres humanos, ao nível das dificuldades que enfrentamos agora…”

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3. A legalização não controla a indústria sexual. Só a expande.

O exemplo da Holanda mostra não ser verdade que a legalização e descriminação são fatores reguladores na expansão da indústria sexual mantendo-a sob controle. Nesse país, a indústria do sexo representa 5% de sua economia (Daley, 20001:4). Durante a última década, quando a ação dos cafetões se tornou legal (em 2000, os bordeis foram descriminalizados na Holanda), a indústria do sexo se expandiu em 25% (Daley, 2001:4). A qualquer hora do dia, mulheres de todas as idades e raças, quase nuas, são postas à mostra nas famosas vitrines dos bordeis holandeses e clubes de sexo e seus serviços sexuais são oferecidos à venda  para consumo dos homens. A maioria dessas mulheres são de outros países (Daley, 2001:4) tendo sido, provavelmente, traficadas para a Holanda.

A legalização da prostituição no estado de Vitória, Austrália, permitiu uma expansão massiva da indústria do sexo. Enquanto que em 1989 havia 40 bordeis legalizados em Vitória, já em 1999 esse número havia subido para 94, juntamente com 84 serviços de acompanhantes. Outras formas de exploração sexual como as mulheres que dançam em cima das mesas, as casa de sadomasoquismo, shows para voyeurs (peep shows), linha telefônica sexual e a pornografia desenvolveram-se de forma muito mais rentável que anteriormente (Sullivan e Jeffreys, 2001:1).

A prostituição tornou-se aceitável ao lado do turismo e do desenvolvimento gigantesco dos cassinos em Vitória. A direção desses cassinos que são subsidiados pelo governo, autoriza a utilização das fichas de jogo como forma de pagamento nos bordeis. O aumento de mulheres na prostituição foi intensificado enormemente e é hoje muito mais visível.

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4. A legalização aumenta a prostituição de rua que é ilegal, escondida e clandestina.

Supostamente a legalização tiraria as mulheres da rua. Porém muitas mulheres não querem se registrar ou se submeter aos exames de saúde, como é exigido por lei em alguns países onde a prostituição é legalizada. O que acontece então, é que a legalização as impele para as ruas. E muitas mulheres optam por se prostituir nas ruas para escapar do controle e exploração dos novos ”empresários do sexo”.

Na Holanda, as mulheres na prostituição apontam que a legalização e descriminalização da indústria do sexo não apagou o estigma da prostituição mas, ao contrário, elas ficaram mais vulneráveis ao abuso porque devem ser registradas,  perdendo assim, o anonimato. Por conta disso, a maioria das mulheres prefere trabalhar ilegalmente e “debaixo dos panos”. Membros do Parlamento Holandês que originalmente apoiaram a legalização da prostituição por acreditar que estariam libertando as mulheres com tal medida, agora percebem que a legalização só reforça a opressão das mulheres (Daley, 2001: A1).

Falhou a argumentação de que a legalização supostamente tira os elementos criminais dos negócios relacionados com o sexo, pois estes passam a ser rigorosamente regulamentados. O crescimento real na prostituição da Austrália desde a legalização, aconteceu nos setores ilegais. Desde que foi estabelecida a legalização em Vitória, o número de bordeis triplicou e aumentou de tamanho, sendo que a vasta maioria deles funciona sem licença apesar de fazerem propaganda, operando impunemente. (Sullivan e Jeffreys, 2001). Em Nova Gales do Sul, os bordeis foram descriminalizados em 1995. Em 1999, o número de bordeis em Sidney cresceu exponencialmente de 400 para 500. A vasta maioria não tem licença para funcionar. O controle da prostituição ilegal saiu das mãos da polícia, afim de fugir da corrupção policial endêmica, e foi colocada nas mãos dos conselhos locais e legisladores. O conselho não tem nem o dinheiro, nem o pessoal necessário para investigar os bordeis, para que os operadores ilegais possam ser condenados.

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5. Legalização da prostituição e descriminalização da indústria do sexo aumenta a prostituição infantil.

Um outro argumento usado em favor da legalização na Holanda, foi o de ajudar a acabar com a prostituição de crianças. Na realidade, porém, a prostituição infantil aumentou de forma dramática durante os anos 90. A Organização sobre Direitos da Criança, com sede em Amsterdã estima que o número de crianças exploradas sexual e comercialmente, subiu de 4 mil crianças em 1995 para 15 mil em 2001. Essa organização calcula que pelo menos 5 mil dessas crianças na prostituição são de outros países, com um vasto segmento sendo de meninas nigerianas (Tiggeloven, 2001).

A prostituição de crianças cresceu dramaticamente em Vitória em comparação com os outros estados da Austrália onde a prostituição não foi legalizada. De todos os estados e territórios na Austrália, o maior número de incidentes declarados de prostituição infantil veio deste estado.(Vitória) Em um estudo realizado em 1998 pela ONG,  End Child Prostitution, Child Pornography, and Trafficking of Children for Sexual Purpose-sECPAT de 1998,  que comandou uma pesquisa para a Comissão de Inquérito Nacional sobre prostituição infantil, havia um evidência notória do aumento da exploração sexual e comercial de crianças na Austrália.

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6. A legalização da prostituição não protege as mulheres prostituídas.

A Coalizão Internacional contra o Tráfico de Mulheres – CATW,  liderou dois grandes estudos sobre tráfico de mulheres e prostituição, entrevistando mais de 200 vítimas da exploração sexual e comercial. Nesse estudo,  as mulheres na prostituição afirmavam que os estabelecimentos onde trabalhavam, pouco faziam para protegê-las, independentemente se eram ou não ilegais. “Se eles protegem alguém, esse alguém são os clientes”.

Na pesquisa realizada pela CATW em cinco países, quando 145 vítimas do tráfico internacional e prostitutas locais foram entrevistadas, 80% delas afirmaram haver sofrido violência física de cafetões e clientes e tendo suportado múltiplos efeitos da violência e da exploração a que foram submetidas (Raymond et al, 2002).

A violência a que as mulheres foram submetidas era intrínseca à exploração sexual e à prostituição. Os cafetões usaram da violência por muitas razões e propósitos. A violência foi usada para iniciar algumas mulheres na prostituição e quebrar sua resistência para praticarem determinados atos. Depois da iniciação, a cada passa do processo, a violência era usada para a gratificação sexual do cafetão, como uma forma de punição, para intimidar ou ameaçar as mulheres, para demonstrar o domínio do cafetão, para  punir as mulheres pelas alegadas”violações”, para humilhar as mulheres e para isolá-las ou confiná-las.

Em relação a proteção que os estabelecimentos onde trabalham poderiam lhes dar, elas declararam que o “protetor” nunca estava no quarto com elas, onde qualquer coisa poderia acontecer. Uma mulher que se prostituía marcando encontros com os clientes através de chamadas telefônicas, afirmou: “Era para o motorista funcionar  como meu guarda-costas. Eu deveria chamá-lo quando chegasse no quarto do cliente, para certificá-lo que tudo estava bem. Mas como ele não ficava do lado de fora, enquanto a gente estava dentro, de nada adiantava dizer que ele poderia nos proteger caso viéssemos a precisar”.

O estudo da CATW mostrou que mesmo as câmeras ocultas das casas de prostituição são usadas para proteção do estabelecimento, porém é de secundária importância na proteção de eventuais abusos às mulheres.

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7. A legalização da prostituição aumenta a procura pela prostituição. Ela incentiva a motivação dos homens para a compra dos serviços sexuais das mulheres de uma forma muito mais permissiva e aceitável socialmente.

Com o advento da legalização nos países que descriminalizaram a indústria do sexo, muitos homens que não comprariam mulheres para sexo, agora o fazem pois esta se tornou uma prática aceitável socialmente. Quando as barreiras legais desaparecem, também desaparecem as barreiras éticas e sociais que impediam a mulher de ser tratada como uma mercadoria sexual. A legalização da prostituição passa uma mensagem para as novas gerações de homens e garotos de que as mulheres são mercadorias e que a prostituição é uma brincadeira sem consequências.

Como é oferecido aos homens  um excesso de serviços sexuais, as mulheres têm de competir entre si, oferecendo sexo anal, sexo sem preservativos, práticas sadomasoquistas e atender outras exigências feitas pelos clientes. Um vez que a prostituição seja legalizada, todas as barreiras são eliminadas. A capacidade reprodutiva das mulheres também se torna um produto passível de venda. Todo um novo grupo de clientes encontra prazer sexual na gravidez da mulher e exigem serem amamentados  em seus intercursos sexuais. (Sullivan e Jeffreys, 2001)

Os anúncios dispostos ao lado das rodovias de Vitória oferecem mulheres como objetos de uso sexual ensinando as novas gerações de rapazes que as mulheres são seres subordinados e de segunda categoria. Os homens de negócios são encorajados a realizarem seus encontros corporativos nestes clubes noturnos, onde os seus proprietários oferecem aos clientes mulheres nuas dançando sobre a mesa durante os intervalos para tomarem chá ou enquanto eles almoçam.

Um proprietário de bordel em Melbourne afirmou que o perfil de sua clientela “era constituída de profissionais bem educados, que visitavam o estabelecimento durante o dia e então voltavam para seus lares ao encontro de suas famílias”. As mulheres que desejam  uma relação mais igualitária com os homens, acabam descobrindo que muitas vezes os homens de suas vidas frequentam bordeis e clubes de sexo. Para continuar com sua relação amorosa elas têm duas escolhas a fazer: ou aceitar que seus parceiros estão comprando favores sexuais – até mesmo fingindo que não o sabem, ou desistir da relação. (Sullivan e Jeffreys, 2001).

A Lei 1997/98:55, do Governo Sueco, sobre a Violência Contra da Mulher, proíbe e penaliza a “compra de serviços sexuais”. Esta é uma  abordagem inovadora que atinge a demanda pela prostituição. A lei sueca acredita que “proibindo a compra de serviços sexuais, a prostituição e seus efeitos funestos podem ser neutralizados mais efetivamente que na situação anterior”. O importante é que essa lei claramente declara que a “prostituição não é um fenômeno socialmente desejável” e é “ um obstáculo para o atingir-se a igualdade entre mulheres e homens”.

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8. A legalização da prostituição não promove a saúde das mulheres.

O sistema de prostituição legalizada que exige exames e certificados de saúde somente para as mulheres e não para seus clientes, é gritantemente discriminatório para com elas. Os exames de saúde “só para mulheres”, não fazem nenhum sentido para a saúde pública, pois monitorar as prostitutas,não significa que serão protegidas do HIV/AIDS ou das DSTs, já que os clientes (não examinados) podem transmitir-lhes tais doenças.

Argumenta-se que os bordeis legalizados e outros locais de prostituição “controlados”, protegem as mulheres, através  de políticas que obrigam o uso de preservativos. Em um estudo da CATW, as mulheres dos Estados Unidos que vivem em prostituição e que foram entrevistadas, afirmaram o seguinte: 47% disseram que os clientes esperam sexo sem preservativos; 73% afirmaram que os homens oferecem mais para o sexo sem preservativo; 45% das mulheres atestaram que foram agredidas e abusadas por insistirem no uso do preservativo. Algumas mulheres disseram que certos estabelecimentos têm regras sobre o uso obrigatório do preservativo por parte dos clientes, mas que mesmo assim, os homens tentam fazer sexo sem o seu uso. Uma mulher declarou:- “É regra usar camisinha na sauna, mas pode-se negociar o seu uso. A maioria dos rapazes querem trepar sem camisinha”… (Raymond e Hughes,2001).

Na verdade, a política que força o uso do preservativo foi deixada na mão das mulheres. Elas é que decidem individualmente se fazem ou não sexo sem preservativo, e a oferta de um dinheiro extra é sempre uma pressão insistente. Uma mulher declarou: “Eu seria mentirosa se dissesse que sempre uso camisinha. Se há uma grana extra na parada, jogo o preservativo pela janela. A gente está sempre atrás é de um dinheiro extra…” Muitos fatores interferem contra o uso do preservativo: a necessidade as mulheres fazerem mais dinheiro; o declínio das mulheres velhas que têm dificuldades para atrair os homens; a competição com os locais que não exigem o uso do preservativo; a pressão dos cafetões sobre as mulheres para fazerem sexo sem preservativo afim de ganharem mais dinheiro; dinheiro para o pagamento da droga caso seja viciadas e o pagamento dos cafetões além da falta de controle geral que as mulheres prostituídas têm sobre seus próprios corpos.

As assim chamadas “políticas de segurança” dos bordeis não protegem as mulheres das agressões. Mesmo nos bordeis que supostamente monitoram os “clientes” e onde existem “leões de chácara”, as mulheres afirmam que foram agredidas por seus clientes, e algumas vezes, até mesmo pelos donos dos bordéis e seus amigos. Mesmo quando alguém interfere para controlar o abuso dos clientes, as mulheres vivem sob constante clima de medo e terror. Apesar de 60% dessas mulheres reportarem que, algumas vezes os clientes foram impedidos de abusá-las, metade dessas mulheres respondeu que, elas pensaram poder ter sido mortas por tais clientes (Raymond et al, 2002).

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9. A legalização da prostituição não melhora as condições de escolha da mulher.

A maioria das mulheres que estão na prostituição não fez uma escolha racional. Elas não se sentaram e decidiram que queriam ser prostitutas. Ao contrário, tais “escolhas” seriam melhores descritas como “estratégias de sobrevivência”. Mais que um consentimento, a mulher prostituta aceita as únicas opções que lhes são oferecidas.  Seu consentimento se baseia no fato de ter de se adaptar às condições inadequadas que são estipuladas pelo cliente que lhe paga para fazer o que ele quer.

A maioria das mulheres entrevistadas nas pesquisas feitas pela CATW disse que sua opção de entrar para a prostituição se deu somente pelo fato de não terem outras condições de ganhar a vida. A maioria enfatizou que as mulheres na prostituição tiveram poucas opções na vida. Muitas disseram que a prostituição era sua última opção. Em um estudo realizado por essa ONG, 67% dos fiscais do governo expressou sua opinião de que as mulheres não entravam na prostituição voluntariamente. Também, 72% das assistentes sociais entrevistadas pela CATW não acreditava que as mulheres haviam escolhido voluntariamente trabalhar na indústria do sexo (Raymond e Hughes, 2001).

A distinção entre prostituição voluntária e forçada é exatamente o que a indústria do sexo está promovendo, pois ela dará mais estabilidade legal e segurança se tais distinções puderem ser utilizadas para legalizar a prostituição, os cafetões e os bordéis. As mulheres que tiverem qualquer queixa contra os cafetões e agressores terão de provar que foram “forçadas” a fazer o que eles exigiram. Como é possível a qualquer mulher marginalizada provar que foi vítima de coerção?… Se as mulheres prostituídas tiverem de provar que usaram da força para recrutá-las ou que experimentam a força nas suas “condições de trabalho”, poucas mulheres prostituídas terão um recurso legal para faze-lo e pouquíssimos agressores serão condenados.

As mulheres na prostituição continuadamente mentem a respeito de suas vidas, seus corpos e suas respostas sexuais. Mentir é parte da essência do trabalho quando o cliente pergunta “você gostou?”. A prostituição é construída em cima de uma mentira, a de que as mulheres gostam dessa vida. Algumas sobreviventes da prostituição contaram que, somente muitos anos após deixarem a prostituição, é que tomarem conhecimento que ela não era uma escolha livre. Ainda mais, enquanto negavam sua própria capacidade de escolha estavam negando a si próprias.

Não há dúvida de que um pequeno número de mulheres diz que livremente escolheu ser prostituta. Elas admitem sua escolha especialmente no contexto público orquestrado pela indústria do sexo. Do mesmo modo, algumas pessoas escolhem se drogar com drogas perigosas como a heroína. Entretanto, mesmo quando algumas pessoas escolhem usar drogas pesadas/perigosas, nós ainda reconhecemos que esta espécie de droga é danosa para elas; sendo assim, a maioria das pessoas não luta para legalizar a heroína. E nesta situação, é o mal para a pessoa e não seu consentimento que vai determinar a maneira de agir do governo.

Até mesmo um relatório de 1998, da Organização Internacional do Trabalho – OIT, órgão das Nações Unidas, onde é sugerido que a indústria do sexo deva ser tratada como um setor economicamente legítimo, afirma que “a prostituição é uma das mais alienadas formas de trabalho. Análise realizada em quatro países mostra que as mulheres trabalham “com o coração pesado”, “sentem-se forçadas a fazê-lo”, “tinham suas consciências sufocadas” e auto-identidade negativa. Uma proporção significativa delas disseram querer largar o trabalho sexual se pudesse” (LIM, 198:203).

Quando a mulher permanece numa relação abusiva com um parceiro que a espanca, ou mesmo quando ela defende as ações dele, as pessoas ligadas a esse tipo de problema, não dizem que ela fez isto voluntariamente. As pessoas reconhecem a complexidade de sua situação. Assim como as mulheres espancadas, as mulheres na prostituição muitas vezes negam o fato de terem sido abusadas porque não possuem outra alternativa significativa de vida.

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10. As mulheres em sistema de prostituição não querem a prostituição legalizada.

Em um estudo realizado em cinco países diferentes sobre o tráfico sexual feito pela Coalizão contra o Tráfico de Mulheres – CATW e que foi financiado pela Fundação Ford, a maioria das 146 mulheres entrevistadas, rebateu energicamente a proposta de legalização da prostituição que a considera um trabalho legítimo. Essas mulheres advertiram que a legalização iria criar maiores riscos e prejuízos para as mulheres que aqueles que já sofrem dos clientes e cafetões violentos (Raymond et al, 2002). “De jeito nenhum. Isto não é uma profissão. É uma humilhação e uma violência por parte dos homens”. Nenhuma mulher entrevistada gostaria que seus filhos, sua família ou amigos tivessem que ganhar dinheiro entrando na indústria do sexo. Uma declarou: “A prostituição estraçalhou minha vida, minha saúde, enfim, tudo que eu tinha”.

Conclusão

Os legisladores embarcam na defesa da legalização porque pensam que nada mais poderá resolver esse problema. Entretanto, a Scotland Yard declarou – “Deve-se ser cuidadoso a respeito de legalizar as coisas só porque achamos que o que estamos fazendo não está funcionando”.

Pouco se ouve falar sobre o papel da indústria do sexo na criação de um mercado sexual globalizado de corpos de mulheres e crianças. No entanto, ouvimos muito a respeito em transformar a prostituição numa atividade melhor para a mulheres através de sua regulamentação e legalização, através dos sindicatos das “trabalhadoras sexuais” e através de campanhas que  abastecem as mulheres na prostituição com preservativos mas que não podem oferecer a elas  outras alternativas de vida. Ouve-se muito de como manter as mulheres na prostituição, mas pouco sobre como tirá-las de lá.

Os governos que legalizarem a prostituição como “trabalho sexual” terão na indústria sexual uma enorme base econômica. Consequentemente, esse será um fator que determinará a dependência do governo no setor sexual. Se as mulheres na prostituição são contadas como trabalhadoras, os cafetões como empresários, os clientes como consumidores de serviços sexuais – legitimando assim toda a indústria sexual como um setor econômico – então os governos podem abdicar de sua responsabilidade de obter empregos sustentáveis e decentes para as mulheres.

Mais que o Estado sancionar a prostituição, o Estado devia outorgar uma lei que previsse a penalização dos homens que compram mulheres para o sexo e dão apoio ao desenvolvimento de alternativas para as mulheres na indústria sexual. Em vez dos governos acumularem dinheiro com os benefícios econômicos da indústria sexual através dos impostos pagos por ela, eles deveriam investir no futuro das mulheres prostituídas providenciando para elas recursos econômicos, esvaziando os cofres da indústria do sexo, afim de providenciar alternativas reais para as mulheres que vivem da prostituição.

A maioria das “profissionais do sexo” são escravas modernas

Escrito por Julie Bindel para o The Spectator

Traduzido por Mariana Amaral para o QG Feminista

Prostituição raramente, ou quase nunca, é uma escolha

Em meio a todo o ultraje que a escravidão moderna provoca, geralmente homens vulneráveis forçados a trabalhos manuais, existe uma forma bem pior de abuso acontecendo no Reino Unido. Ela acontece em todas as cidades, ruas e até em vilas. É algo endêmico a toda cultura e região do mundo, e ainda assim, ultimamente nós justificamos essa forma de abuso em nome da “libertação”. Nós nos acostumamos a pensar sobre a prostituição como uma forma legítima de se bancar a vida, até como algo “empoderador” para as mulheres. Nós a chamamos de trabalho sexual e viramos a cara. Não devíamos fazer isso.

Nos últimos três anos eu pesquisei sobre a prostituição internacionalmente a fim de testar o pensamento convencional de que é um trabalho como qualquer outro, tão válido quanto qualquer outro. Eu conduzi 250 entrevistas em 40 países, entrevistei 50 sobreviventes do tráfico internacional, e quase todas me contaram a mesma história: não acredite no mito da “prostituta feliz” que você vê na televisão. Em quase todos os casos é na verdade escravidão. As mulheres na prostituição estão estão sendo coagidas financeiramente e estão em apuros. Elas precisam ser resgatadas dessa situação assim como qualquer outra vítima da escravidão moderna.

Umas das descobertas mais perturbadoras, foi que as vozes mais ouvidas pedindo pela legalização e pela normalização da prostituição vem de pessoas que lucram com ela: cafetões, agentes, donos de bordéis. Eles conseguiram ter o poder de falar pelas mulheres sob seu controle. As pessoas que conhecem a história real do tráfico sexual de pessoas têm sido silenciadas pelo lobby de ideólogos “liberais” iludidos e os beneficiários do tráfico de pessoas.

Como Autumn Burris, ex-prostituta da Califórnia que escapou da indústria no fim dos anos 1990, me relatou: “Eu tive que me convencer de várias coisas, de várias mentiras para impedir que meu cérebro se partisse em milhares de partes e eu ficasse louca com o abuso contínuo que acontecia de novo e de novo, e com a violência que vem junto com a prostituição” . Autumn agora é militante contra o tráfico de pessoas, ela ministra cursos para oficiais de polícia e outros profissionais sobre a realidade das pessoas na prostituição.

Uma sobrevivente do tráfico sexual na Alemanha, Huschke Mau, se posiciona dessa forma: “Toda vez que tinha que encontrar um cliente eu tinha que beber não um copo de vinho, mas uma garrafa. Você não consegue fazer um programa se estiver sóbria ou sem usar drogas. Quando eu parei de beber, eu não consegui mais fazer aquilo”

Se prostituição é equivalente a escravidão, por que diabos então ativistas de direitos humanos e tantas pessoas de esquerda apoiam a ideia de que a prostituição é um “trabalho” para mulheres e um “direito” para homens?

Tudo começou com a emergência de se fazer uma campanha contra o HIV/Aids. Parecia fazer sentido, na época, que legalizar casas noturnas e os cafetões para criar zonas de “tolerância”, como a que existe em Leeds, Reino Unido. A “lógica” por trás é de que se você remove as penalidades criminais, as mulheres prostituídas irão se envolver mais com abrigos de apoio, levando a 100% do uso de camisinhas. Isso, em consequência, reduziria dramaticamente os índices de contaminação de HIV, argumenta o lobby pró-legalização e também acabaria com o fim do feminicídio por cafetões e clientes.

Essa era a teoria. Mas eu visitei um bom número de bordeis legais em Nevada, na Alemanha, Holanda e Austrália e examinei a proposta feita pelos pró-legalização, e o que eu encontrei foi que esses argumentos — a base do debate sobre a prostituição hoje em dia — simplesmente não condizem.

A legalização da prostituição na Alemanha, Holanda e Austrália não ajudou na combater os índices de violência, nem do HIV ou do feminicídio. Eu me encontrei com uma ex-defensora dos direitos das “profissionais do sexo” em Melbourne, Sabrinna Valisce, que ao confrontar a realidade da descriminalização, mudou dramaticamente seu ponto de vista. “Eu pensei que a descriminalização melhoraria as coisas tornando tudo legal e dentro dos regimentos, mas ela só deu mais poder aos clientes e aos cafetões”

O que a legalização pode significar é que muitas das liberdades e direitos que as mulheres prostituídas dizem exercer, estão na verdade sendo cobradas pelos donos de estabelecimentos e clientes. É fácil — eles simplesmente redefinem-se como trabalhadores da indústria do sexo e aproveitam de todos os benefícios. Eu ouvi vários dos lobistas pró-legalização se referirem a si mesmos como “trabalhadores da indústria do sexo” assim como “cafetões”.

A verdadeira escala do mercado mundial do sexo é assustadora. Eu visitei um vilarejo na Índia criado inteiramente na prostituição e conheci um homem que estava prostituindo sua filha, sua irmã, sua tia e sua mãe. Eu entrevistei cafetões nos megabordeis em Munique, em que homens pagavam uma taxa fixa que permitia consumir quantas mulheres desejassem. No sudeste da Ásia, eu presenciei turistas sexuais idosos do Reino Unido pagarem por um “encontro” com garotas adolescentes em bares “de meninas”.

Eu descobri que o que quer que os lobistas digam, mulheres e garotas prostituídas vêm majoritariamente de lares abusivos, vivem na pobreza, e são de alguma forma marginalizadas. Elas não são livres ou empoderadas: elas foram abusadas e estão presas.

Não vamos nos esquecer que isso acontece com garotos também. Em uma visita a Los Angeles, eu conheci Greg, nascido em uma família com conexões com a máfia. Desde muito novo, ele foi abusado e explorado sexualmente por homens poderosos. Quando adolescente ele conheceu um cafetão, foi vendido por sexo por seis anos, até conseguir escapar. Greg não quer ter nada a ver com a ideia de que vender sexo é parte da cultura homossexual.

Eu viajei para Amsterdã para entrevistar a mulher que encabeçou o termo “Puta feliz”. Hoje em dia, Xaviera Hollander gerencia a pousada chamada ‘Happy House’. Eu presumi que ela tivesse ficado rica e famosa como resultado do sucesso estratosférico de seu livro The Happy Hooker: My Own Story, que vendeu 20 milhões de cópias no mundo inteiro. Mas na verdade, logo no jantar, eu descobri que foi vendendo o corpo de outras mulheres que a rendeu fama e fortuna. Ela me contou que foi prostituta por seis meses até aprender o negócio. “Eu fui de um apartamento pequeno para uma cobertura de cinco quartos em tempo recorde”, ela conta orgulhosa.

Hollander não é exatamente representativa do mito da “puta feliz” que vemos tão constantemente na mídia. Mas nós compramos essa mentira porque é conveniente acreditar nela.

Eu entrevistei alguns consumidores de sexo no Reino Unido e em outros lugares e esse é o tipo de coisa que eles dizem: “Eu não quero que ela goste — isso tiraria a graça pra mim.” E: “Eu gosto de prostitutas porque elas fazem o que eu mando. Não é como uma mulher normal.” O que dizer disso: “Não é diferente de comprar um hamburguer quando você está morrendo de fome e sua mulher não te fez nada pra comer.”

Se eu sugerir a fãs da prostituição que nada terrível vai acontecer aos homens se eles forem proibidos de comprar sexo, eu escuto a mesma reclamação: “Mas e os homens com necessidades especiais? Como eles vão transar?” Quando eu aponto que sexo não é um direito humano, me contam a história da mãe que comprou para seu filho com extremas necessidades uma prostituta de aniversário, e que um veterano de guerra que perde a perna em combate deve ter seu “direito” garantido de pagar por mulheres.

Mas leve em conta todas aquelas milhões de mulheres oprimidas. E os direitos delas? Em um dos bordeis de Nevada, as mulheres eram presas em jaulas e arames farpados cercavam as altas paredes do lugar. Em Seul, na Coréia do Sul, era costume trancar as mulheres nos bordeis a noite inteira — até um incêndio matar 14 jovens em 2002. Se galinhas em granjas fossem tratadas dessa forma, certamente haveria um clamor acertado dos mesmos esquerdistas liberais que geralmente mudam o discurso para defender esse mercado flagrante da carne humana.

Durante uma breve viagem a Auckland, eu conheci a rua da zona da prostituição. É comumente dito que a Nova Zelândia é o padrão de ouro no cuidado com o mercado do sexo. O Comitê de Estado (anteriormente presidido por Keith Vaz, que foi forçado a deixar o cargo após ser acusado de ter comprado sexo de um jovem) estava analisando adotar um modelo semelhante para o Reino Unido.

Nas ruas, conheci Carol, que parecia ter 70 anos mas era bem mais jovem, usando uma muleta para descansar entre a jornada de clientes. Carol me contou que desde que a prostituição foi legalizada, há 13 anos atrás, nada melhorou para as mulheres. Os clientes ainda são violentos, a polícia ainda não se importa, ela diz. Nem os defensores dos direitos humanos. Enquanto mulheres ao redor do mundo lutam para acabar com a violência e abuso, o Partido Trabalhador e a Anistia Internacional, para listar duas entidades políticas, as traíram.

A forma mais efetiva de invisibilizar um terrível abuso dos direitos humanos é renomeá-lo. Um estrategista pró-escravidão nas Índias Ocidentais uma vez sugeriu que ao invés de “escravos”, os “niggers” deviam ser chamados de “assistentes dos donos de terras”. Aí, disse o estrategista, “nós não vamos enfrentar tanto clamor contra o mercado de escravos pelos religiosos piedosos, poetas de coração terno e políticos de curta visão”. O termo “profissional do sexo” é o mesmo tipo de lustre conveniente.

Foi Barack Obama quem disse que o tráfico humano deveria ser chamado de “escravidão moderna”, na intenção de ressaltar as condições terríveis que essas pessoas vivem. O Ato sobre Escravidão Moderna passou no Reino Unido em 2015. Ele é fundado na ideia de que não há ambiguidade quando se olha para as circunstâncias das pessoas que o Ato foi criado para proteger: as condições em elas estão e a incapacidade de se escapar dessas condições.

O mesmo se aplica a prostituição: não é um “trabalho sexual”. Na maioria das vezes, é escravidão moderna.

 

Por que a prostituição não deve ser legalizada?

Do Demand Abolition[1]

Traduzido por Carol Correia

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Evidência para responsabilizar compradores

  • A ideia de que legalizar ou descriminalizar o sexo comercial reduzisse seus danos é um mito persistente. Muitos afirmam que se o comércio sexual fosse legal, regulamentado e tratado como qualquer outra profissão, seria mais seguro. Mas a pesquisa diz o contrário. Os países que legalizaram ou descriminalizaram o sexo comercial geralmente experimentam uma onda de tráfico de seres humanos, prostituição e outros crimes relacionados. A seguinte pesquisa afirma que a legalização ou a descriminalização não é a resposta para reduzir os danos inerentes ao sexo comercial.

A prostituição, independentemente de ser legal ou não, envolve tanto dano e trauma que não pode ser vista como um negócio convencional.

  • As entrevistas com pessoas prostituídas na Nova Zelândia revelam que a maioria das pessoas prostituídas no país não sentiu como se a descriminalização tivesse restringido a violência que vivenciam, demonstrando que a prostituição é intrinsecamente violenta e abusiva (Report of the Prostitution Law Review Committee: p. 14)
  • Um estudo de mulheres prostituídas em salas de massagem de San Francisco descobriu que 62% tinham sido espancadas pelos clientes. (HIV Risk among Asian Women Working at Massage Parlors in San Francisco: p. 248)
  • Uma investigação da indústria do sexo comercial em oito cidades americanas descobriu que 36% das pessoas prostituídas relataram que seus compradores eram abusivos ou violentos. (Estimating the Size and Structure of the Underground Commercial Sex Economy in Eight Major US Cities: p. 242)
  • A taxa de homicídio no “local de trabalho” entre as mulheres prostituídas em Colorado é sete vezes maior do que o que era na ocupação mais perigosa para homens na década de 1980 (motoristas de táxi). (Mortality in a Long-term Open Cohort of Prostitute Women: p. 783)

 

A prostituição e o tráfico de seres humanos são formas de violência baseada no gênero.

 

Legalizar ou descriminalizar a prostituição não diminuiu a prevalência da prostituição ilegal.

  • Uma investigação encomendada pelo Parlamento Europeu descobriu que, nos países com prostituição legal, como a Áustria, “o efeito da regulamentação pode ser um aumento maciço na prostituição de migrantes e um apoio indireto à disseminação do mercado ilegal na indústria do sexo”. (National Legislation on Prostitution and the Trafficking in Women and Children: p. 132)
  • A Dinamarca descriminalizou a prostituição em 1999 e as próprias estimativas do governo mostram que a prevalência aumentou substancialmente ao longo da década que se seguiu. (Prostitutionens omfang og anterior 2012/2013: p. 7)
  • As entrevistas com pessoas prostituídas na Holanda informaram que “a legalização atrai mulheres estrangeiras a vir para a Holanda, causando um aumento [na prostituição]”. (Prostitution in the Netherlands since the lifting on the brothel ban: p. 38)

A legalização ou a descriminalização não reduziu o estigma enfrentado pelas pessoas prostituídas.

A legalização ou a descriminalização aumentam o tráfico humano e tráfico sexual.

As tentativas de regular a prostituição falharam e a adesão é baixa.

A legalização e a descriminalização promovem o crime organizado.

 

O modelo nórdico (criminalizando o ato de comprar sexo) reduziu a prevalência da prostituição de rua.

  • Uma avaliação do impacto na Suécia descobriu que a prostituição de rua havia sido reduzida a metade. (Förbud mot köp av sexuell tjänst: En utvärdering 1999–2008: p. 34-35)
  • Da mesma forma, uma avaliação da implementação do modelo pela Noruega em 2009 descobriu que “reduziu a demanda por sexo e, portanto, contribuiu para reduzir a extensão da prostituição” (p. 11), resultado que foi confirmado em análises adicionais. (Kriminalisering av sexkjøp: p. 13)

 

O modelo nórdico impediu um aumento da prostituição em geral.

  • Enquanto os vizinhos da Suécia, como a Dinamarca e a Finlândia, experimentaram aumentos na prostituição, os dados sugerem que permaneceu estável na Suécia pela década que se seguiu à implementação do Modelo Nórdico. (Förbud mot köp av sexuell tjänst: En utvärdering 1999-2008: p. 36)

 

Os países que implementaram o modelo nórdico apresentaram menor prevalência de tráfico de seres humanos do que os países que legalizaram a prostituição.

  • Uma vez que a legalização da prostituição resulta em um aumento do tráfico (p. 76), não deve ser surpreendente saber que o modelo nórdico foi eficaz na luta contra o tráfico. De acordo com os dados harmonizados da União Europeia sobre o tráfico de seres humanos, a Suécia e a Noruega, por exemplo, têm taxas de tráfico muito menores do que a Holanda. (Trafficking in Human Beings: 2015 Edition: p. 23)

 

A pessoas prostituídas geralmente vêm de populações vulneráveis e não têm escolha, enquanto a maioria dos compradores de sexo tem recursos abundantes.


[1] https://www.demandabolition.org/resources/evidence-against-legalizing-prostitution/

Verdades muito inconvenientes: os compradores do sexo, coerção sexual e a negação da violência na prostituição

Escrito por: Melissa Farley

Retirado de: http://logosjournal.com/2016/farley-2/

Traduzido por: Carol Correia


 

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A globalização tem aumentado o pendimento da balança do poder entre os compradores com seu bolso e a mulher que aluga sua vagina por uma taxa. Na França, 85% das prostitutas são imigrantes, muitas sem documentação, vulneráveis a exploração. Na Alemanha, com os megabordeis legais, são cerca de dois terços. Se a demanda não for atacada, mais virão. Isso é algo que alguma nação ocidental deveria se orgulhar: uma subclasse de mulheres pobres das aldeias tailandesas e cidades ucranianas importadas para servir a pênis do Primeiro Mundo? – Janice Turner, 2014.[1]

Alguns cafetões, alguns compradores de sexo e alguns governos tomaram a decisão de que é razoável esperar que certas mulheres tolerem a exploração sexual e a agressão sexual para sobreviverem. Essas mulheres são mais frequentemente pobres e, na maioria das vezes, são etnicamente ou racialmente marginalizadas. Os homens que as compram ou as estupram têm maior poder social e mais recursos do que as mulheres. Por exemplo, um turista canadense de prostituição comentou sobre mulheres na prostituição tailandesa, “Essas garotas precisam comer, não é? Estou colocando pão em seu prato. Estou fazendo uma contribuição. Elas morreriam de fome a menos que elas se prostituíssem.”[2]

Esse darwinismo autocongratulatório evita a pergunta: as mulheres têm o direito de viver sem o assédio sexual ou exploração sexual através da prostituição – ou se esse direito é reservado apenas a aqueles que detém de privilégios de raça, classe e sexo? “Você ganha pelo que paga, sem o ‘não’”, explicou um comprador de sexo.[3] As mulheres não-prostituídas têm o direito de dizerem ‘não’. Nós temos proteção legal contra assédio sexual e exploração sexual. Mas tolerar abuso sexual faz parte da descrição do trabalho para fins da prostituição.

Uma das grandes mentiras é que a maioria da prostituição é voluntária. Se não há evidência de força, então sua experiência é descartada como “voluntária” ou “consentida”. Um comprador de sexo disse: “Se eu não vejo uma corrente em sua perna, eu suponho que ela fez a escolha de estar lá”. Mas a maioria da prostituição hoje é o que as abolicionistas alemãs chamaram de prostituição à pobreza. Isso significa que ela está com fome, ela não consegue encontrar um emprego e ela não tem alternativas. O pagamento do comprador não apaga o que sabemos sobre violência sexual, violência doméstica e estupro. Seja legal ou não, a prostituição é extremamente prejudicial para as mulheres. As mulheres em prostituição têm as taxas mais altas de estupro, agressão física e homicídio de qualquer mulher já estudada. Em um estudo holandês, 60% das mulheres em prostituição legal foram agredidas fisicamente, 70% foram ameaçadas com agressão física, 40% sofreram violência sexual e 40% foram coagidas à prostituição legal.[4]

Na década passada, depois de entrevistar centenas de compradores do sexo em 5 países (EUA, Reino Unido, Índia, Camboja e Escócia), nós estamos olhando com mais atenção para comportamentos e atitudes que alimentam a misoginia da prostituição e nós começamos a compreender alguns de suas motivações. O comportamento normativo do comprador do sexo inclui a recusa em ver a sua própria participação em atividades prejudiciais, tais como em desumanizar mulheres, humilhando-as verbal e fisicamente, assedia-las e pagar a fim de coagi-las em realizar atos sexuais que ela de outra forma não o faria.

Objetificação e a mercantilização estão na raiz da violência na prostituição.

Compradores do sexo não reconhecem a humanidade nas mulheres que eles usam para o sexo. Uma vez que a pessoa é transformada em um objeto, exploração e abuso parecem ser quase razoáveis.

Em entrevistas com os compradores do sexo em diferentes culturas, foram fornecidos alguns exemplos de mercantilização. A prostituição foi entendida como “alugar um órgão por dez minutos.”[5] Outro comprador de sexo americano afirmou que “estar com uma prostituta é como ter uma xícara de café, quando você termina de usar, você joga fora”[6]. Compradores de sexo mercantilizam e selecionam mulheres com base em estereótipos de raça/étnicos, através da hipersexualização étnica.[7] “Eu tinha uma lista de verificação mental em termos de raça”, disse um comprador de sexo de Londres, “Eu tentei todas elas ao longo dos últimos cinco anos, mas que acabou por ser o mesmo.”[8] Em Camboja, a prostituição foi entendida desta maneira: “Nós, os homens são os compradores, as trabalhadoras do sexo são bens e o dono do bordel é um fornecedor.”[9] Uma mulher que tinha se prostituído em Vancouver por 19 anos explicou a prostituição da mesma forma que os compradores de sexo fez, “Eles são donos de você por meia hora ou vinte minutos ou aquela hora. Eles estão comprando você. Eles não têm apegos, você não é uma pessoa, você é uma coisa a ser usada.”[10]

Compradores sexuais faltam empatia

Usando sua própria lógica especial, o comprador de sexo calcula que, além de comprar acesso sexual, o dinheiro também compra-lhe o direito de evitar pensar sobre o impacto da prostituição sobre a mulher que ele usa para o sexo.[11] Sua fantasia é a namorada sem complicações que não faz exigências sobre ele, mas está disposta a satisfazer suas necessidades sexuais. “É como alugar uma namorada ou esposa. Você começa a escolher como um catálogo”, explicou um comprador de sexo do Reino Unido.[12] Os compradores do sexo procuram a aparência de um relacionamento. Um número de homens explicou seu desejo de criar uma ilusão para outros homens que tinham adquirido uma mulher atraente sem pagamento. “Eu quero que minha prostituta não se comporte como uma”, disse um comprador de sexo londrino, “Eu quero que elas finjam o papel de ser uma namorada. Para uma terceira pessoa, parece que estamos apaixonados.”[13] Alguns homens que compram sexo querem a ilusão do tipo de relacionamento que eles são incapazes ou não estão dispostos a ter com as mulheres fora da prostituição. Ele pode fingir intimidade emocional, mas a relação com uma mulher em prostituição sempre não há mutualidade emocional. Se eles constroem um relacionamento emocional agradável imaginário com a mulher que compram para o sexo, então eles podem então manter sua opinião de si mesmos como caras legais. No entanto, estes homens exigem mentiras extensas e exaustivas de mulheres prostituídas. Uma sobrevivente escreveu para o comprador de sexo “legal”,

A verdade, que você está tão desesperada para fugir, é que você é apenas como um estuprador gentil. Sua atitude e comportamento não atenua o que você faz. O dano que você está fazendo é incalculável, mas você diz a si mesmo que você está fazendo nenhum mal aqui e você usa os sorrisos das mulheres que você compra como algum tipo de moeda; elas permitem que você compre a sua própria besteira… Eu não quero você perto de mim, muito menos dentro de mim. Os seus braços em volta de mim me fazem querer vomitar mais do que o seu pênis já fez… Cada momento com você era uma mentira e eu odiava cada segundo dela. (Rachel Moran, 2014.)[14]

Como outros homens sexualmente agressivos, os compradores de sexo não têm empatia pelas mulheres na prostituição. Na Escócia, os pesquisadores descobriram que quanto mais homens compravam sexo, menos empatia por mulheres prostituídas sentiam. “Eu não quero saber sobre ela”, disse um comprador, “eu não quero que ela chore ou isso e aquilo porque isso estraga a ideia para mim.”[15] Os homens criam uma versão sexualmente excitante do que uma prostituta pensa e sente que tem pouca base na realidade.[16] Contra todo o senso comum, a maioria dos compradores que entrevistamos acreditavam que mulheres prostituídas estavam sexualmente satisfeitas com as performances sexuais dos compradores. A pesquisa com as mulheres, por outro lado, mostra que as mulheres não são sexualmente excitadas pela prostituição e, com o tempo, a prostituição prejudica a sexualidade das mulheres.[17]

Uma das poucas diferenças entre violência doméstica e prostituição é que na prostituição, os autores lucram com a exploração sexual. Por causa do dinheiro, a prostituição é muito mais organizada do que o espancamento individual de um homem de uma mulher. Beckie Masaki que foi diretora do Abrigo das Mulheres asiáticas em San Francisco, falou sobre as ondas de choque que passaram pela agência quando começaram a aceitar as mulheres que tinham sido traficadas para a prostituição. Anteriormente, haviam trabalhado individualmente com mulheres agredidas. Agora, estavam aceitando uma dúzia de mulheres de cada vez. Os grupos de crime organizados chineses, vietnamitas e coreanos não estavam felizes com a perda da renda. Isto exigiu o aumento de precauções de segurança para o abrigo.

Compradores do sexo e coerção sexual

A opinião favorável masculina a prostituição é uma de um conjunto de atitudes e opiniões que incentivam e justificam a violência contra as mulheres.[18] Atitudes do direito de acesso sexual e agressão sexual e as atitudes de superioridade sobre as mulheres estão ligadas à violência dos homens contra as mulheres. A pesquisa mostra que os compradores do sexo – como outros homens sexualmente agressivos – tendem a preferir o sexo impessoal, tem medo de rejeição por mulheres, tem uma auto identificação masculina hostil e são mais propensos do que os que não são compradores a estuprarem se houver a possibilidade de saírem impunes.[19] No Chile, Croácia, Índia, México e Ruanda, os compradores do sexo eram mais propensos do que outros homens a estuprar.[20] Homens que usavam as mulheres na prostituição eram significativamente mais propensos a terem estuprado uma mulher do que homens que não compram sexo.[21] Na Escócia, descobrimos que quanto mais vezes um cliente usa mulheres na prostituição, o mais provável era dele ter cometido atos sexualmente coercivos contra as mulheres fora da prostituição.[22]

Negação de danos à prostituição

Os clubes de strip-tease nunca têm espelhos posicionados onde os compradores de sexo podem se ver, um proxeneta que gerenciou clubes de strip-tease durante muitos anos explicou.[23] O que eles não querem ver? Eles querem olhar para longe de suas manobrações predatórias com as mulheres? Eles não querem ver sua própria imundice tola? Eles querem fechar os olhos para a mentira que as mulheres são atraídas pelos compradores de sexo? Eles não querem saber que, enquanto se veem como participantes, os homens que optam por não comprar sexo veem a si mesmo como perdedores? A verdade sobre a prostituição é inconveniente para os homens que compram sexo.

Um comprador de sexo em Londres que observou mulheres do leste europeu e seu “guarda-costas” era um participante ativo no que era muito provável o tráfico sexual. Ele comentou,

A relação parecia muito profissional, como um negócio. Ainda assim, ele as instruiu a fazer coisas que não ficaram totalmente satisfeitos com. Um olhar severo em seu rosto e uma voz ligeiramente elevada, fez-me um pouco desconfortável. Mas depois que a menina tinha recebeu a conversa dele, ela colocou sua face profissional e continuou o que teria que fazer. Meu sentimento desconfortável foi embora porque ela fez isso – ela podia ter se afastado do trabalho. Melissa Farley, Julie Bindel, Jacqueline M. Golding de 2009.[24]

Os compradores do sexo veem e ao mesmo tempo se recusam a ver, o medo, o desgosto e o desespero nas mulheres que compram. Se ela não estivesse correndo do quarto gritando “ajuda, polícia! Tráfico!”, o comprador de sexo conclui que ela escolheu a prostituição. Saber que as mulheres na prostituição foram exploradas, coagidas, prostituídas ou traficadas não impedem os compradores de sexo. Metade de um grupo de 103 compradores sexuais de Londres disse que eles usaram mulheres na prostituição que eles sabiam que estava sob o controle de proxeneta. Como um homem explicou: “É como se ele fosse dono dela”. Outro homem disse: “A menina é instruída a fazer o que precisa fazer. Você pode simplesmente relaxar, é o trabalho dela.”[25] Na Romênia, pesquisadores entrevistaram compradores sexuais, mulheres em prostituição, proxenetas e policiais, todos concordaram que os compradores de sexo “não estão interessados se as meninas são realmente traficadas ou não, mas estão mais interessados em satisfazer suas necessidades sexuais”.[26]

Racionalizações para legalizar ou descriminalizar a prostituição

As leis contra compradores de sexo e proxenetas são barreiras ao negócio da exploração sexual. Legalização e descriminalização da prostituição da zona em áreas onde é legal comprar, vender e ser vendido por sexo. Sob estas leis, os interesses dos homens que compram sexo são representados e os proxenetas são protegidos.[27]

O argumento de que a legalização da prostituição tornaria “mais seguro” é a principal racionalização para a prostituição legal ou descriminalizada. No entanto, não há evidências para isso. Em vez disso, ouvimos reivindicações auto atendidas e asserções fortemente redigidas sem dados empíricos. As consequências da prostituição legal na Holanda e na Alemanha mostraram o quão mal pode obter. A partir de 2016, 80% da prostituição alemã e holandesa estava sob o controle de máfias criminosas.

As consequências de prostituição legal na Holanda e na Alemanha têm mostrado o quão ruim ele pode chegar. A partir de 2016, 80% da prostituição alemã e holandês estava sob o controle de máfias criminosas.

Depois de legalização na Holanda, o crime organizado ficou fora de controle e mulheres na prostituição não estavam mais seguras do que quando a prostituição era ilegal. O prefeito Job Cohen fechou muito da prostituição legal de Amsterdã em resposta ao crime organizado.[28] Depois de legalização em Victoria, Austrália, cafetões estabeleceu 95 bordeis legalizados, mas ao mesmo tempo, eles também estabeleceram mais 400 bordeis ilegais em Victoria.[29] Em vez de diminuir o envolvimento criminoso violento, a legalização da prostituição resultou em um aumento do tráfico de acordo com pesquisa de 150 países.[30]

Quem conhece a vida diária da prostituição entende que a segurança na prostituição é um sonho. Os defensores da prostituição legal e descriminalizada entendem isso, mas raramente o admitem. Ainda assim, a evidência existe, por exemplo, o grupo de trabalho sobre educação e advocacia dos trabalhadores do sexo na África do Sul, distribuiu uma lista de dicas de segurança, incluindo a recomendação de que, enquanto se despia, a prostituída deve “acidentalmente” chutar um sapato debaixo da cama e, ao recuperá-lo, verificar se há facas, algemas ou cordas. O folheto SWEAT observou que afofar o travesseiro na cama permitiria uma busca adicional de armas[31]. Compreendendo a violência letal dirigida às mulheres na prostituição, um proxeneta legal holandês disse a um jornalista: “Você não quer um travesseiro no quarto [do bordel]. É uma arma do crime”[32]. Uma organização de São Francisco recomendou: “esteja ciente das saídas e evite deixar o seu cliente bloquear o acesso a essas saídas” e “os sapatos devem sair facilmente ou serem apropriados para correr” e “evitar colares, cachecóis, bolsas de ombro ou qualquer outra coisa que possa ser acidental ou intencionalmente apertada em sua garganta”[33]. As especificações dos códigos australianos de segurança e ocupação (OSC) para a prostituição ilustram sua preocupação com seus perigos. A OSC australiana recomenda o treinamento de negociações de reféns para as mulheres na prostituição, contradizendo totalmente a noção de prostituição como apenas seu trabalho médio[34]. Os botões de pânico em salões de massagem, saunas e bordeis nunca podem ser respondidos rapidamente o suficiente para evitar a violência. Botões de pânico em bordeis legais fazem tão pouco sentido quanto os botões de pânico nas casas de mulheres vítimas de violência doméstica.

A saúde pública é um componente significativo da segurança acusada de estar presente na prostituição descriminalizada. Na década de 1980, grupos como o Coletivo de Prostitutas de Nova Zelândia (NZPC) tiraram proveito sobre a epidemia da AIDS, centrando-se na educação sobre HIV e na redução de danos entre aqueles na prostituição.[35] Este foco trouxe financiamento maciço aos sindicatos de prostitutas, que o usavam para fazer lobby para a prostituição descriminalizada.[36] A abordagem da redução de danos desses grupos para a prevenção do HIV parece estar baseada na suposição de que se preservativos masculinos fossem suficientemente distribuídos, então a vida será melhor para todos. Na realidade, mulheres querem o fim dos danos (a saída da prostituição) assim como redução de danos. E a maioria dos clientes em todo o mundo se recusam a utilizar preservativos. Epidemiologistas descobriram que o alto risco para o HIV é causado por estupro e um grande número de parceiros sexuais. Nem um desses fatores foi abordado pelos sindicatos de prostitutas.

Embora tenha sido promovido como uma lei que proteja os profissionais do sexo, a própria avaliação do governo da Nova Zelândia em sua lei concluiu que após a prostituição ser descriminalizada, a violência e o abuso sexual continuaram como antes[37]. “A maioria das trabalhadoras do sexo sentiu que a lei poderia fazer pouco sobre a violência que ocorreu” e que era um aspecto inevitável da indústria do sexo[38]. Durante um ano, 35% das mulheres na Nova Zelândia com a prostituição descriminalizada foram coagidas[39]. A maior taxa de coerção sexual por compradores de sexo foi relatada por mulheres em prostituição de salões de massagens que eram controladas por proxenetas (descritas como “administrados” pelo governo). O estigma social da prostituição e a desconfiança da polícia persistiram após a descriminalização. A maioria das mulheres na prostituição não relatou violência ou crimes contra elas na polícia após a descriminalização[40]. Gangues de proxenetas travaram guerras turísticas sobre o controle da prostituição em Auckland[41] e a prostituição de rua em Nova Zelândia ficou sem controle com alguns relatórios de um aumento de 200% após a descriminalização[42].

Concepções desvirtuadas públicas, racionalização e negação sobre a prostituição

Os equívocos públicos sobre a prostituição decorrem de narrativas de compradores de sexo e proxenetas sobre a violência perpetrada contra mulheres na prostituição. As justificações dos homens para outras formas de violência contra as mulheres são notavelmente semelhantes às suas justificativas para a prostituição. Eles culpam a vítima, observando as mulheres na prostituição como intrinsecamente diferentes de outras mulheres e moralmente deficientes. Os agressores justificam bater em mulheres declarando que ela pediu ou provocou. Os compradores de sexo justificam a prostituição ao nos dizer que ela está ficando rica ou que ela simplesmente está fazendo um trabalho desagradável, mas necessário, como o trabalho em fábrica. Os compradores de sexo e os defensores do comércio sexual podem reconhecer uma fração do abuso e da exploração na prostituição, mas justificam o abuso porque as mulheres alegadamente ganham muito dinheiro. Uma vez pagas, a exploração, o abuso e o estupro desaparecem. “Todos elas são exploradas. No entanto, elas também têm bons rendimentos”, disse um comprador de sexo italiano[43]. Um comprador de sexo descreveu os estupros de uma mulher por seu proxeneta. Mas, ele disse, era apenas “De vez em quando, não todas as semanas”[44]. Se as expectativas sexuais dos homens não forem cumpridas, o estupro e a prostituição são considerados inevitáveis. As mulheres que não proporcionam os atos sexuais exigidos por seus parceiros são então culpadas pelo uso que eles têm de mulheres na prostituição. “Se minha noiva não me fará anal, eu conheço alguém que fará”[45].

As palavras que escondem seus danos levam à confusão sobre a prostituição: prostituição voluntária, o que implica que ela consentiu quando não tinha alternativas de sobrevivência; tráfico forçado que implica que em algum lugar há mulheres que se voluntariam para serem traficadas na prostituição; trabalho sexual, que define a prostituição como um trabalho e não como um ato de violência. O termo trabalhador sexual migrante implica que a prostituição e o tráfico são aceitáveis. A prostituição do clube de strip foi reformulada como expressão sexual ou liberdade para expressar sua sensualidade. Os bordeis são chamados de salões de massagem, saunas e clubes de saúde. Homens mais velhos que compram adolescentes para sexo em Seul chamam de namoro compensado. Em Tóquio, a prostituição é descrita como uma relação sexual assistida. Os homens que compram mulheres na prostituição são chamados de partes interessadas, os proxenetas são descritos como gerentes.

Cafetões e traficantes facilitam a negação ao deturpar isso como um trabalho fácil, divertido e lucrativo para as mulheres nele. Mulheres, assim como homens, são proxenetas. Uma série de defensores proeminentes se identificam publicamente apenas como “profissionais do sexo”, embora sejam gerentes de mulheres no comércio sexual, alguns são proxenetas e alguns foram presos por alcovitar, por gerenciar um bordel ou pelo tráfico. Há um conflito de interesses flagrante quando indivíduos que são gerentes/proprietários/proxenetas estão na mesma organização que aqueles que estão sob seu controle. A falsa representação é ainda mais antiética quando os proprietários dos bordeis, os gerentes e os membros do conselho do clube de strip-tease escondem suas afiliações, alegando representar os interesses das profissionais do sexo. Escondendo sob a bandeira dos sindicatos, os proxenetas apelam para as simpatias da esquerda. No entanto, grupos como o Coletivo de Prostitutas da Nova Zelândia, a União Internacional dos Trabalhadores do Sexo (Reino Unido), o Red Thread (Holanda), o Comitê Durbar Mahila Samanwaya (Índia), Stella (Canadá) e o Sexing Worker Organizing Project (EUA) – enquanto agressivamente promove a prostituição como trabalho – não se assemelham ao que a maioria de nós pensa como sindicatos.

Eles não oferecem pensões, segurança, horas mais curtas, benefícios de desemprego ou serviços de saída (o que é que 90% das mulheres em prostituição dizem que querem). Em vez disso, esses grupos promovem um mercado livre de seres humanos que são usados para o sexo[46]. Nós localizamos 12 pessoas de 8 países que se identificam publicamente como profissionais do sexo ou defensores dos trabalhadores do sexo, mas que também venderam outros por sexo ou que estiveram implicados na gestão de negócios de comércio sexual de várias maneiras específicas. Todos promovem o proxenetismo descriminalizado. Muitos foram presos por gerenciar bordeis e agências de acompanhantes, tráfico, alcovitamento, prostituição interestadual ou enriquecer a base da prostituição[47].

Como podemos responder de forma ética e apropriada à existência de prostituição?

A existência da prostituição em qualquer lugar é a traição social nas mulheres, especialmente aquelas que são marginalizadas e vulneráveis devido ao seu sexo, à sua etnia, à pobreza e à história de abuso e negligência. A prostituição é assédio sexual, exploração sexual, muitas vezes tortura. As mulheres na prostituição enfrentam uma probabilidade estatística de estupro semanal, como violência doméstica levada ao extremo. A cumplicidade dos governos sustenta a prostituição. Quando o comércio sexual se expande, as mulheres são menos propensas a competir com os homens por empregos. Quando a prostituição é incorporada nas economias dos estados, os governos são aliviados da necessidade de encontrar empregos para as mulheres. Os impostos-sobre-sangue[48] são coletados pelo estado-enquanto-cafetão na prostituição legal e descriminalizada. Bancos, companhias aéreas, provedores de internet, hotéis, agências de viagens e todos os meios de comunicação são parte integrante da exploração e abuso de mulheres no turismo de prostituição, ganham enormes lucros e são solidificados como parte da economia.

Se ouvimos as vozes e análises de sobreviventes – aquelas que não estão mais sob o controle do proxeneta ou do comércio sexual – elas nos direcionam para as soluções legais óbvias. Os homens que compram sexo devem ser responsabilizados por sua agressão predatória. As que estão na prostituição devem ter alternativas reais para a sobrevivência e nunca serem presas. Aqueles que se beneficiam da prostituição – proxenetas e traficantes – também devem ser responsabilizados. Uma abordagem baseada na lei dos direitos humanos da prostituição, reconhecendo-a como exploração sexual, como a Suécia, a Noruega, a Islândia e a Irlanda do Norte, proporcionaria segurança e esperança. Nesta abordagem abolicionista da prostituição, os compradores de sexo são criminalizados (como os proxenetas e os traficantes) e as pessoas na prostituição são descriminalizadas e também recebem serviços de saída e treinamento profissional. Mas, primeiro, temos que passar pelas mentiras das proxenetas e das profetas sobre a prostituição. Eu sei que podemos fazer isso.

Para resumir:

  1. A verdade sobre a prostituição é muitas vezes escondida por trás das mentiras, manipulações e distorções dos proxenetas do comércio sexual, gerentes e outros que se beneficiam do negócio. As verdades mais profundas sobre a prostituição são reveladas nos testemunhos dos sobreviventes, bem como na pesquisa sobre as realidades psicossociais e psicobiológicas da prostituição.
  2. Na raiz da prostituição, assim como outros sistemas coercivos, estão a desumanização, a objetificação, o sexismo, o racismo, a misoginia, a falta de empatia, o patológico sentimento de que são donos de alguém (proxenetas e compradores), dominação, exploração e um nível de exposição crônica à violência e degradação que destrói a personalidade e o espírito.
  3. A prostituição não pode ser segura ao legalizar ou descriminalizá-la. A prostituição precisa ser completamente abolida.
  4. A prostituição é mais como ser assediada sexualmente de forma cronica, ameaçada e estuprada, do que trabalhar em um restaurante de fast food. A maioria das mulheres na prostituição sofre de PTSD grave e deseja sair da prostituição.
  5. Os compradores de sexo são predadores; eles geralmente se envolvem em comportamentos coercivos, não têm empatia e têm atitudes sexistas que justificam o abuso de mulheres.
  6. Existe uma solução. É chamado de modelo sueco e foi adotado por vários países, incluindo Suécia, Noruega, Islândia e Irlanda do Norte. A essência da solução é: a criminalização para compradores e proxenetas; descriminalização para prostituídas e provisão de recursos, alternativas, casas seguras, reabilitação.
  7. A prostituição afeta todos nós, não apenas aquelas nele.

 


Referências e notas de tradução:

[1] Janice Turner (2014) “The mood’s changed. Buying sex is just wrong. The Times, London, February 8, 2014. http://www.thetimes.co.uk/tto/opinion/columnists/article3999436.ece

[2] Moore, C.G. (1991) A Killing Smile. Bangkok: White Lotus Press. Citado em Ryan Bishop & Lillian Robinson (1997) Night Market: Sexual Cultures and the Thai Economic Miracle. New York: Routledge, p 168-9.

[3] Farley, M., Macleod, J., Anderson, L., and Golding, J. (2011) Attitudes and Social Characteristics of Men Who Buy Sex in Scotland. Psychological Trauma:  Theory, Research, Practice, and Policy 3/4: 369-383.

[4] Vanwesenbeeck I. (1994) Prostitutes’ Well-Being and Risk. Amsterdam: VU University Press.

[5] Farley, M. (2007) ‘Renting an Organ for Ten Minutes:’ What Tricks Tell us about Prostitution, Pornography, and Trafficking. In D.E. Guinn and J. DiCaro (eds) Pornography: Driving the Demand in International Sex Trafficking. Pp 144-152. Los Angeles: Captive Daughters Media.

[6] Farley, M., Schuckman, E., Golding, J.M., Houser, K., Jarrett, L., Qualliotine, P., Decker, M. (2011) Comparing Sex Buyers with Men Who Don’t Buy Sex: “You can have a good time with the servitude” vs. “You’re supporting a system of degradation” Paper presented at Psychologists for Social Responsibility Annual Meeting July 15, 2011, Boston.

[7] Marttila, A-M. (2000) Desiring the ‘Other:’ Prostitution Clients on a Transnational Red-Light District in the Border Area of Finland, Estonia and Russia. Gender, Technology, and Development 12(1): 31-51.

[8] Farley, M., Bindel, J. and Golding, J.M. (2009) Men who buy sex: who they buy and what they know. Eaves: London and Prostitution Research & Education: San Francisco. http://www.prostitutionresearch.com/c-prostitution-research.html

[9] Farley, M., Freed, W., Kien, S. P., Golding, J.M. (2012) A Thorn in the Heart: Cambodian Men who Buy Sex. Presented July 17, 2012 at conference co-hosted by Cambodian Women’s Crisis Center and Prostitution Research & Education: Focus on Men who Buy Sex:  Discourage Men’s Demand for Prostitution, Stop Sex Trafficking. Himawari Hotel, Phnom Penh, Cambodia.

[10] Pornography and Prostitution in Canada: Report of the Special Committee on Pornography and Prostitution (1985) 2. Minister of Supply and Services, Canada. p. 376–77.

[11] Spurrell, C. (2006) Who Pays for Sex? You’d Be Surprised. Times Online November 7, 2006.www.timesonline.co.uk/tol/life_and_style/men/article627388.ece

[12] Farley, M., Bindel, J. and Golding, J.M. , 2009.

[13] Farley, M., Bindel, J. and Golding, J.M. , 2009.

[14] Moran, R. (2014) “An Open Letter to the ‘Good’ Punter” May 19, 2014. Survivor’s View Blog. Prostitution Research & Education. http://prostitutionresearch.com/pre_blog/2014/05/19/an-open-letter-to-the-good-punter/

[15] Farley, M., Bindel, J. and Golding, J.M. , 2009.

[16] Jeffrey, S. (1997). The idea of prostitution. North Melbourne: Spinifex Press.; Plumridge, E.W., Chetwynd, S.J., Reed, A. (1997) Control and condoms in commercial sex: client perspectives.Sociology of Health & Illness?19 (2): 228-243.

[17] Barry, K. (1995). The Prostitution of Sexuality. New York: New York University Press; Funari, V. (1997) Naked, naughty, nasty: peepshow reflections in Nagle, J. (ed.)?Whores and Other Feminists. New York: Routledge; Giobbe, E. (1991). Prostitution, Buying the Right to Rape, in Burgess, A.W. (ed.)?Rape and Sexual Assault III: a Research Handbook. New York: Garland Press; Hoigard, C. & Finstad, L. (1986).?Backstreets: Prostitution, Money and Love.?University Park: Pennsylvania State University Press; Raymond, J., D’Cunha, J., Dzuhayatin, S.R., Hynes, H.P., Ramirez Rodriguez, Z., and Santos, A. (2002).?A Comparative Study of Women Trafficked in the Migration Process: Patterns, Profiles and Health Consequences of Sexual Exploitation in Five Countries (Indonesia, the Philippines, Thailand, Venezuela and the United States).?N. Amherst, MA: Coalition Against Trafficking in Women (CATW). Available atwww.catwinternational.org

[18] Flood, M., & Pease, B. (2009). Factors influencing attitudes to violence against women. Trauma, Violence, and Abuse, 10, 125-142; Koss, M. P., & Cleveland, H. H. (1997). Stepping on toes: Social roots of date rape lead to intractability and politicization. In M. D. Schwartz (Ed.), Researching sexual violence against women: Methodological and personal perspectives (pp. 4-21). London: Sage. Available at http://prostitutionresearch.com/2015/09/01/men-who-buy-sex-have-much-in-common-with-sexually-coercive-men-new-study-shows-4/

[19] Farley, M., Golding, J., Matthews, E.S., Malamuth, N., Jarrett, L. (2015) Comparing Sex Buyers with Men Who Do Not Buy Sex: New Data on Prostitution and Trafficking. Journal of Interpersonal Violence (August, 2015) 1-25.

[20] Heilman, B., Herbert, L., & Paul-Gera, N. (2014). The making of sexual violence: How does a boy grow up to commit rape? Evidence from five IMAGES countries. Washington, DC: International Center for Research on Women (ICRW) and Washington, DC: Promundo. Retrieved from: http://www.icrw.org/files/publications/The%20Making%20Of%20Sexual%20Violence%20-%20June%202014%20-%20WEB%20PREVIEW.pdf

[21] Monto, M. A., & McRee, N. (2005). A comparison of the male customers of female street prostitutes with national samples of men. International Journal of Offender Therapy and Comparative Criminology, 49, 505-529.

[22] Farley, M., Macleod, J., Anderson, L., and Golding, J. (2011) Attitudes and Social Characteristics of Men Who Buy Sex in Scotland. Psychological Trauma:  Theory, Research, Practice, and Policy 3/4: 369-383.

[23] Prostitution occurs in 99% of strip clubs. Holsopple, K. (1998) Stripclubs According to Strippers: Exposing Workplace Violence. Unpublished Paper; Farley, M. (2004) “Bad for the Body, Bad for the Heart:” Prostitution Harms Women Even If Legalized or Decriminalized. Violence Against Women 10: 1087-1125.

[24] Farley, M., Bindel, J. and Golding, J.M., 2009.

[25] Farley, M., Bindel, J., and Golding, J.M.2009.

[26] Dragomirescu, D.A., Necula, C., & Simion, R. 2009 “Romania: Emerging Market for Trafficking? Clients and Trafficked Women in Romania.” in A. Di Nicola (ed.) Prostitution and Human Trafficking: Focus on Clients. New York: Springer. p. 160

[27] “A abordagem do trabalho sexual na prostituição favorece a descriminalização global com várias formas de legalização, geralmente com alguma regulamentação estadual, às vezes começando pela sindicalização. Seu objetivo é remover as sanções penais de todos os atores da indústria do sexo para que a prostituição se torne tão legítima quanto qualquer outro meio de subsistência”. Catharine A. MacKinnon (2011) Trafficking, Prostitution, and Inequality. Harvard Civil Rights-Civil Liberties Law Review 46: 701-739.

[28] Charter, D. (2008) Half of Amsterdam’s red-light windows close. The Times UK. December 27, 2008http://www.timesonline.co.uk/tol/news/world/europe/article5400641.ece).

[29] Jeffreys, S. (2003) the legalization of prostitution: A failed social experiment. Women’s Health Watch Newsletter, 64: 8-11. http://www.women’shealth.org.nz.

[30] Cho, S-Y., Dreher, A., Neymayer, E. (2013) Does Legalized Prostitution Increase Human Trafficking? World Development 41:67-82. http://www.lse.ac.uk/geographyAndEnvironment/whosWho/profiles/neumayer/pdf/Article-for-World-Development-_prostitution_-anonymous-REVISED.pdf

[31] Farley, M., 2004,  Prostitution Harms Women Even If Legalized or Decriminalized.

[32] Daley, S. (2001) New Rights for Dutch Prostitutes, but No Gain.New York Times. August 12, 2001.http://www.nytimes.com/2001/08/12/international/12DUTC.html

[33] St James Infirmary, 2004, p 172). St James Infirmary (2004 2ndedition) Occupational Health and Safety Handbook. San Francisco: Exotic Dancers Alliance and STD Prevention and Control Services of the City and County of San Francisco.

[34] Sullivan, M. (2007) Making Sex Work: a failed experiment with legal prostitution. Melbourne: Spinifex.

[35] Priscilla Alexander observou que a epidemia de AIDS trouxe consigo certas vantagens fiscais para aqueles que promovem a prostituição. Alexander, P. (1996) Foreword. Priscilla Alexander in N. McKeganey and M. Barnard (Eds.) Sex Work on the Streets: Prostitutes and Their ClientsPhiladelphia: Open University Press.

[36] Jenness, V. (1993) Making It Work: the Prostitutes’ Rights Movement in Perspective. New York: De Gruyter

[37] Prostitution Law Review Committee (2008) Report of the Prostitution Law Review Committee on the Operation of the Prostitution Reform Act 2003. Wellington, New Zealand.http://www.justice.govt.nz/prostitution-law-review-committee/publications/plrc-report/index.html:157

[38] Prostitution Law Review Committee (2008), p.14 and 57

[39] Prostitution Law Review Committee (2008), p. 46.

[40] Prostitution Law Review Committee (2008), 122.

[41] Tapaleao, Vaimoana (2009, May 4). City takes prostitute dilemma to the top. New Zealand Herald. http://www.nzherald.co.nz/nz/news/article.cfm?c_id=1&objectid=10570143.

[42] O Comitê de Revisão da Lei de Prostituição da Nova Zelândia, 2008, p. 118 observou que a prostituição de rua em Auckland mais do que duplicou em apenas um ano, 2006-2007. Outros relatórios na imprensa colocam os números muito mais altos. “As estimativas indicam que o número de trabalhadoras de rua na cidade de Manukau pode ter quadruplicado desde junho de 2003…”.Manukau City Council, Report of Manukau City Council on Street Prostitution Control http://www.manukau.govt.nz/uploadedFiles/manukau.govt.nz/Publications/Plans_&_Policies/mcc-report-on-streetprostitution-aug-2005.pdf.

[43] Di Nicola, A., Cuaduro, A., Lombardi, M., Ruspini, P. (editors) (2009) Prostitution and Human Trafficking: Focus on Clients. New York: Springer.

[44] Farley, M., Schuckman, E., Golding, J.M., Houser, K., Jarrett, L., Qualliotine, P., Decker, M. (2011) Comparing Sex Buyers with Men Who Don’t Buy Sex: “You can have a good time with the servitude” vs. “You’re supporting a system of degradation” Paper presented at Psychologists for Social Responsibility Annual Meeting July 15, 2011, Boston.

[45] Farley, M., Schuckman, E., Golding, J.M., Houser, K., Jarrett, L., Qualliotine, P., Decker, M., 2011.

[46] Cecilie Hoigard (2015) The Presence of Pain in the Debate on Prostitution,Women’s Front of Norway. Available at http://kvinnefronten.no/wp-content/uploads/2015/05/Two-Articles-on-Prostitution.pdf

[47] Norma Jean Almodovar, EUA, Fundação Internacional de Trabalhadores Sexuais para Arte, Cultura e Educação, Call Off Your Old Tired Ethics (COYOTE), condenada por alcovitamento. Diretora executiva da COYOTE/Los Angeles, Norma Jean Almodovar, foi condenada por alcovitamento. Consulte o relatório AP em Spokane Chronicle 27 de setembro de 1984, https://news.google.com/newspapers?nid=1345&dat=19840927&id=PldOAAAAIBAJ&sjid=jfkDAAAAIBAJ&pg=7010,2487624&hl=en; Consulte também o relatório AP no Registro-Guard Eugene Oregon, https://news.google.com/newspapers?nid=1310&dat=19840927&id=Aa1jAAAAIBAJ&sjid=iuEDAAAAIBAJ&pg=6617,6534751&hl=en;

Terri Jean Bedford, do Canadá, advogada de profissionais do sexo, condenada por gerenciar um bordel. Bedford era uma das três candidatas, descrevendo-se como profissionais do sexo, que desafiavam as leis canadenses sobre a prostituição com o objetivo de descriminalizar a prostituição no Canadá. Consulte http://www.cbc.ca/news/canada/dominatrix-found-guilty-1.165890 para uma descrição da prisão de 1994; veja também Toronto Star Archives, Paul Moloney (1994) Sexual bondage parlor raided in Thornhill. Toronto Star Sept 17, 1994 http://www.thestar.com/news/gta/2011/06/13/the_making_of_abad_girl.html para uma descrição de sua prisão por dirigir uma casa de obscenidade. “A polícia da Região de York apreendeu uma surpreendente variedade de parafernália de servidão sexual em uma incursão em um modesto bangaló de Thornhill anunciado como a Casa de Erótica de Madame de Sade. Junto com chicotes, correntes, pás para espancamento, algemas, máscaras, perucas e botas, a polícia apreendeu um trono alto, estoques, bancos de palmadas e uma cruz de madeira preta com amarras para a cabeça, os braços e os pés. Dois “dominantes” e um atendente “submisso” – “Mistress Marie”, “Mistress Morgan” e “Princess” – forneceram sessões que permitiram a gratificação sexual, principalmente a masturbação, disseram os investigadores”;

Claudia Brizuela, Argentina, Associação de prostitutas femininas da Argentina, Rede de trabalhadores sexuais femininos da América Latina e do Caribe, acusada de tráfico sexual. Claudia Brizuela, ex-líder da Associação de Mulheres Meretrizes da Argentina (AMMAR) e fundadora da Rede de Trabalhadores de Sexo Feminino da América Latina e Caribe, foi presa e acusada de tráfico sexual em 2014. Ambos os grupos de trabalhadores sexuais foram financiados pelo UNAIDS e referenciados pela Amnistia Internacional em apoio à sua defesa da descriminalização. Veja Ex dirigente de Ammar processada por liderar vermelho de trata. (Fonte Anna Djinn) https://thefeministahood.wordpress.com/2015/08/24/what-amnesty-did-wrong/;

Maxine Doogan, EUA, Erotic Service Providers Union, encarregada de dirigir uma agência de acompanhantes. Mary Ellen (Maxine) Doogan pimpeou mulheres de uma agência de prostituição de escolta em Seattle, WA, Personal Touch Escort Service, onde foi acusada de promoção criminal de prostituição e lavagem de dinheiro. Ela se declarou culpada por uma menor acusação de proxenetismo e foi condenada em 1994 pela promoção de prostituição de segundo grau. Natureza da ação: acusação para o segundo grau de promoção da prostituição pelos meios legais de lucrar com a prostituição. Tribunal Superior: O Tribunal Superior do Condado de King, nº 93-1-04076-4, Anthony P. Wartnik, J., em 8 de agosto de 1994, entrou em julgamento sobre um veredicto de culpabilidade;

Robyn Little, EUA, Sex Workers Outreach Project, condenada por conspiração para promover a prostituição interestadual. Robyn Few fori condenada por violar uma lei federal, conspiração para promover a prostituição. Ela fundou o Sex Workers Outreach Project. http://www.swopusa.org/about-us/founder-robyn-few/; Jesse Jardim (2004) Ex-Prostitute Hits the Streets to Decriminalize Prostitution. Daily Californian Jan 29 2004. http://archive.dailycal.org/article.php?id=13940;

Douglas Fox, Reino Unido, União Internacional de Trabalhadores do Sexo, preso por viver a custas do lucro da prostituição, conselheiro da Amnistia Internacional, administra a agência de acompanhantes. Douglas Fox foi um dos fundadores da União Internacional de Trabalhadores do Sexo. Ele foi preso por lucrar a custa da prostituição em uma picada policial na agência de escolta Christony Companions. Julie Bindel (2015) “What you call pimps, we call managers” Byline July 21 2015. https://www.byline.com/column/7/article/188.

A jornalista de investigação Julie Bindel conclui que o propósito da União Internacional de Trabalhadores do Sexo parece ser “normalizar o proxenetismo, pressionar pelo fim das leis que criminalizam os exploradores na indústria do sexo e, em última instância, ‘adoçar’ a prostituição e apresentá-la como um tabalho como qualquer outro.” Veja Bindel, J. (2013) An Unlikely Union: Julie Bindel investigates a world of workers, pimps, and punters. The Gaze. April 2013. http://www.gaze-amodernreview.co.uk/contributors.html (também disponível pelo autor);

Eliana Gil, México, Rede Global de Projetos de Trabalho Sexual, Rede de Trabalhadores Femininos de América Latina e Caribe, condenada por tráfico sexual. Eliana Gil foi presa em 2014 e condenada em 2015 pelo tráfico sexual. http://www.sinembargo.mx/22-02-2014/912026. De acordo com o testemunho da vítima, com seu filho, ela prostituia cerca de 200 mulheres na Cidade do México. A Rede de Trabalhadores de Sexo Feminino da América Latina e Caribe foi afiliada e financiada pelo Programa das Nações Unidas sobre HIV/AIDS, afiliado à Organização Mundial da Saúde e citado pela Amnistia Internacional http://www.faber.co.uk/blog/a-human-rights-scandal-por-kat-banyard/

Pye Jakobsson, Suécia, Rose Alliance, Rede Global de Projetos de Trabalho Sexual, conselheira de uma década de um clube de strip-tease de Estocolmo, onde também foi paga para organizar o horário do clube e colocar novas mulheres no horário do clube. Ela se envolveu em agendamento semelhante de atividades de mulheres e quase-gerenciamento em um segundo clube (Erostop). Pye Jakobsson reconhece estar no conselho do strip-tease Flirt Fashion de 2001-2012. “Founder also on board of strip club” January 14, 2013 Kajsa Skarsgård  Commentary http://www.dagensarena.se/innehall/frontfigur-ocksa-i-styrelse-for-strippklubb/; Gerda Christensen (tradução para inglês: Annina Claesson) “Swedish Rose Alliance – a fraudulent organization,” 2013 Newsletter of Kvinnofronten, the Women’s front in Sweden http://kvinnofronten.nu/eng/Newsletter/debate-rose-alliance.htm. Uma sobrevivente que se aproximou de Jakobsson na Rose Alliance afirmou que Jakobsson recrutou mulheres para trabalhar no clube de strip-tease. http://bibbidibobbidibutthole.tumblr.com/post/125394583276/womensliberationfront-gerda-christenson-ofJakobsson foi entrevistada por um repórter enquanto ela estava no Erostop, onde novamente seu trabalho foi descrito por um repórter como “agendamentos de manipulação:” “Pye Jakobsson, 32, lida com horários e outras coisas em torno dos strippers no Erostop”. http://wwwc.aftonbladet.se/nyheter/0006/24/sexklubb.html A revisão do comprador de sexo da Erostop a partir de 2007 descreveu atos de prostituição no clube onde Jakobsson manipulou horários e outras coisas: “Show privado onde as meninas mostram coxas e você tira de seu custo $ 500.” https://www.flashback.org/t2831p3;

Jackie McMillan, Austrália, Sex Workers Outreach Project, produtora de pornografia, gerente de clube de masmorras e promovedora. Jackie McMillan afirmou que ela produziu pornografia por 10 anos https://www.facebook.com/WomanSaySomething/posts/782787211765971. McMillan também gerencia um clube de fetiche em Sydney com seu marido, Craig Donarski, onde os funcionários do Hellfire Club proporcionam uma experiência de calabouço com escravidão, dominação, sadismo e submissão. http://www.au.timeout.com/sydney/adult/features/11813/bdsm-in-sydney; https:// http://www.linkedin.com/in/jackiemcmillan; Donarski e McMillan receberam um prêmio comercial para o Hellfire Club em 2014http://australianpridenetwork.com.au/sydney-lgbti-community-honours-its-heroes/;

Maggie McNeil, EUA, Sex Workers Outreach Project, dona da agência de prostituição de escolta de Nova Orleans. Maggie McNeil declarou: “Eu possuía um serviço de escolta. Eu era uma madame. https://maggiemcneill.wordpress.com/2011/11/17/across-the-pond/#comment-15832 e “eu era a melhor dona da agência em Nova Orleans” http://titsandsass.com/haters-gonna-hate-even-when-youre-both-sex-workers/#comment-3022;

Tanja Sommer, Alemanha, defensora do trabalho sexual com Berufsverband erotische und sexuelle Dienstleistungen (BesD), Associação Empresarial de Serviços Eróticos e Sexuais. Gerencia um estúdio de sexo dominatrix e aluga quartos para outros em prostituição. Tanja Sommer, em posição de liderança no BesD http://berufsverband-sexarbeit.de/en/contact/ também dirige seu próprio estúdio dominatrix em que outras mulheres se prostituem. Spiegel, “Uncovered” March 28, 2015: http://www.spiegel.de/spiegel/print/d-132909484.html Sua colega Holger Rettig é líder da UEGD (Unternehmerverband Erotikgewerbe Deutschland – Business Association of Erotic Business na Alemanha). Esta organização, composta apenas por proxenetas, ajudou a encontrar e trabalhar em estreita colaboração com o BesD. http://www.spiegel.de/spiegel/print/d-132909484.html;

Margo St James, EUA, COYOTE, prisão por gerenciar um bordel. Para uma biografia da vida e prisão de Margo St. James, veja Alison Bass (2015) Getting Screwed: Sex Workers and the Law, documentando a prisão de St James por meio de uma entrevista com ela, descrevendo a declaração do policial de que ela o solicitou, sua convicção de dirigir uma “casa desordenada” ou seja, bordel, sua declaração de que seus colegas de quarto estavam se prostituindo, mas a própria St James não estava prostituindo no momento da prisão.

[48] NOTA DA TRADUÇÃO: “Blood-taxes” é um imposto pelo derramamento de sangue.