Mulheres Contra o Estupro Pago: Quem somos?

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Alguns poucos anos atrás, o site antiprostituicao.wordpress.com foi criado por mim. Eu tinha como objetivo trazer mais informações sobre a temática da prostituição, pois era muito comum a dificuldade em encontrar material sobre que não fosse pró-prostituição ou incrivelmente moralista em português.

Ao focar em textos gringos e traduzi-los, não estou implicando que textos gringos são sejam aos brasileiros de qualquer forma (em breve divulgaremos e produziremos mais, ao invés de traduzir).

No entanto, prostituição é um problema em muitos países e creio que seja importante divulgar o material realizado “lá fora” para avaliarmos os benefícios e prejuízos de cada abordagem estabelecida pelo Estado.

O site tem como objetivo mostrar a prostituição não como empoderamento sexual, nem como promiscuidade das mulheres. Mas sim como uma violação aos direitos humanos.

Ademais, buscamos apresentar as razões que levaram as maioria das pessoas prostituídas recorrerem a prostituição; levantar a ideia de que ninguém tem o direito de comprar sexo; apontar a ligação do capitalismo, racismo e misoginia na prostituição; desmistificar a prostituição; criticar a indústria do sexo, por completo; divulgar relatos de sobreviventes; entres outros.

É necessário reconhecer que a prostituição é um problema e que precisamos buscar formas de lidar com ele – através de políticas públicas, principalmente. Mas para reconhecer a prostituição como violência e construir estratégias para lutar contra ela, precisa-se ter o acesso a material que mostre isso – e é nesse ponto que o Mulheres Contra o Estupro Pago se encontra, divulgando informação.

In fine, leiam, pesquisem, busquem e compartilhem o material que nós estamos disponibilizando. Sigam também nossa página no facebook e nossa conta no twitter.


No momento, o Mulheres Contra o Estupro Pago é constituído por três mulheres: eu, Mayara Balala e Anna Beatriz Hagel. Se você tem interesse em contribuir, fale conosco 😉

Livros em português sobre prostituição

Por Mayara Balala 

Se você tá lendo isso é porque tem o privilégio de ter acesso à informação, o privilégio de ter acesso à internet e o privilégio de saber ler. É um privilégio pra nós a partir do momento em que tanta gente ao redor do mundo não tem essa mesma oportunidade e eu acho que a gente deveria fazer alguma coisa com esse privilégio.

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A literatura anti prostituição foi majoritariamente composta por mulheres incríveis e maravilhosas que corajosamente dedicaram a vida delas a lutar por um mundo onde mulheres não sejam esmagada pela supremacia masculina e isso não foi pra vocês se prestarem ao papel de – tendo acesso à informação – discutirem sobre prostituição usando desinformação e frase de efeito.

Eu recomendo de verdade que, se vocês puderem, leiam esses livros. Porque eles são muito importantes, tratam de um assunto muito urgente e têm muito a agregar à nossa discussão e à nossa prática.

Não Uma Escolha, Não Um Trabalho (2013)
Janice Raymond

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[sinopse retirada – em inglês – do site da Amazon]

> PDF do livro original em inglês

> Links para os capítulos em português:
Prefácio
Agradecimentos
Introdução
Capítulo 1- Mitos e criadores de mitos da prostituição
Capítulo 2 – Prostituição em demanda: os usuários da prostituição
Capítulo 3 – Nação da prostituição: o Estado da prostituição na Holanda
Capítulo 4 – Desenvolvimento econômico ou oportunismo econômico? Tráfico, prostituição e complexo de prostituição militar
Capítulo 5 – Boas práticas para o futuro

 

A vagina Industrial – A Economia Política do Comércio Global do Sexo (2008)
Sheila Jeffreys

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 A industrialização da prostituição e do comércio sexual criou um mercado global de muitos bilhões de dólares, usando milhões de mulheres, que faz uma contribuição substancial às economias nacionais e globais.
A Vagina Industrial examina como prostituição e outros aspectos da indústria do sexo saíram de práticas de pequena escala, clandestinas e socialmente desprezadas para se tornarem setores de mercado muito lucrativos e legitimados que são legalizados e descriminalizados por governos. Sheila Jeffreys demonstra como a prostituição foi globalizada através de uma examinação:

  • do crescimento da pornografia e seu novo alcance global
  • o boom de lojas de adultos, strip clubs e agências de acompanhantes
  • da prostituição militar e violência sexual na guerra
  • do casamento e indústria de esposas encomendadas pelo correio
  • do aumento do turismo sexual e tráfico de mulheres

Ela argumenta que através dessas práticas a subordinação das mulheres foi terceirizada e que Estados que legalizam essa indústria estão agindo como cafetões, possibilitando que homens compradores em países onde a igualdade das mulheres ameaça a dominação masculina comprem acesso aos corpos de mulheres de países pobres que são pagas por sua subordinação sexual.
Essa enorme e provocativa contribuição é uma leitura essencial para todos com interesse em feminismo, gênero e questões críticas sobre globalização, tal como para estudantes e estudiosos de economia política internacional.

[sinopse retirada do livro original em inglês]

PDF do livro original em inglês

Links para os capítulos em português:
Introdução
Capítulo 1: Feministas e a indústria do sexo global – Líderes de torcida ou críticas?
Capítulo 2: Casamento e prostituição
Capítulo 3: A economia política internacional de pornografia
Capítulo 4: O boom do strip club

(o restante do livro ainda não foi traduzido, mas será publicado na página em breve)

 

Um silêncio a cada esquina: representações sociais de prostitutas sobre a regulamentação da “profissão” (2017)
Mariana Luciano Afonso

Capa_silencio-388x591 Há cerca de 20 anos vem sendo propostos, no Brasil, diferentes projetos de lei para regulamentar a prostituição como profissão. Alguns setores importantes da sociedade são a favor da regulamentação, outros contra, mas o que pensam as prostitutas sobre a atividade que realizam? Elas a consideram um trabalho? Querem a regulamentação? Desejam continuar na atividade? Busca-se, aqui, romper silêncios e ouvir o que têm a dizer essas mulheres. Este livro é fruto de uma pesquisa de mestrado em Psicologia Social na UFSCar, que investigou as representações sociais de prostitutas sobre a regulamentação da prostituição. A pesquisadora conviveu intensamente com elas. Ao percorrer o território da prostituição de rua, a pesquisadora se deparou com três instituições que intervêm naquele espaço: uma de comerciantes e policiais; uma religiosa; e uma ONG. Mostram-se as ações e posicionamentos dessas instituições. São analisados, ainda, os projetos de lei de regulamentação da prostituição e aspectos históricos da prostituição no Brasil e no mundo.

[sinopse retirada do link a seguir]

Resenha do livro, pelo jornalista Fábio de Oliveira Ribeiro

Link para compra do livro

Outros livros

Se você lê em inglês, eu recomendo que você dê uma olhada nessa lista aqui:

https://nordicmodelnow.org/resources/books/

Pelo fim da indústria do estupro – Exploração não é trabalho

Material antiprostituição

Material traduzido gratuitamente e produzido pelo Mulheres Contra o Estupro Pago:

Posições da Esquerda e/ou de movimentos sociais

  1. “A prostituição da Esquerda” 
  2. “Por que as feministas estão ignorando a exploração sexual?” 
  3. “Marx e prostituição” 
  4. ““Putafobia” não é uma ameaça ao feminismo – mas ignorar o abuso das mulheres é” 
  5. Deveria ser evidente que socialistas deveriam ser antiprostituição
  6. Prefácio do livro “Não uma escolha, não um trabalho” de Janice Raymond
  7. Introdução do livro “Não uma escolha, não um trabalho” de Janice Raymond
  8. Capítulo 1 de “Vagina Industrial” por Sheila Jeffreys
  9. As mulheres nos bordeis são nossas irmãs!
  10. A prostituição é empoderadora se optarmos por ela?
  11. Uma visão feminista da prostituição
  12. Não acredite no que os lobistas dizem – a prostituição pode e será abolida

 

 

Legalização e/ou Descriminalização da prostituição

  1. “Legalização transformou a Alemanha em um bordel da Europa e nós todos devemos ter vergonha”
  2. “A legalização da prostituição: Um experimento social falho” 
  3. “Descriminalizar a indústria do sexo não irá proteger os seus trabalhadores contra abusos por Julie Bindel” 
  4. “A legalização da prostituição protege mulheres e meninas?” 
  5. “Ruim para o corpo, ruim para o coração: prostituição prejudica mulheres mesmo se for legalizada ou descriminalizada” 
  6. “Estado cafetão – os horrores da indústria do sexo (resenha)” 
  7. “Legalizar a prostituição não é a resposta: O exemplo de Victoria, Austrália” 
  8. Por que a prostituição não deve ser legalizada?
  9. Solução da prostituição da Suécia: por que ninguém tentou isso antes?
  10. Mito: legalizar a prostituição reduz o estigma
  11. Porque trabalho sexual não é trabalho
  12. Capítulo 3 do livro “Não uma escolha, não um trabalho” de Janice Raymond – Nação da prostituição: o estado da prostituição na Holanda
  13. Prostituição infantil na Holanda
  14. Trabalhar em um bordel da Nova Zelândia foi nada como “um trabalho como qualquer outro”

 

Abolição da Prostituição (& o modelo nórdico)

  1. “Porquê a França adotou o modelo nórdico” 
  2. “Solução da prostituição da Suécia: por que ninguém tentou isso antes?” 
  3. “Prostituição prejudica mulheres: Radfem do Reino Unido & o modelo nórdico” 
  4. A legislação sobre prostituição deve incluir mulheres na indústria pornô
  5. Por que pagar por sexo é legal em tantos países? Porque as leis são feitas por homens
  6. Não acredite no que os lobistas dizem – a prostituição pode e será abolida
  7. Sobre escolha, agência e o modelo nórdico
  8. Agradecimentos do livro “Não uma escolha, não um trabalho” de Janice Raymond
  9. O que é o Modelo Nórdico?
  10. Capítulo 5 do livro “Não uma escolha, não um trabalho” de Janice Raymond – Boas práticas para o futuro

 

Cultura do Estupro e Violência sexual

  1. “Atitudes sobre prostituição e a aceitação de mitos de estupro” 
  2. “Verdades muito inconvenientes: os compradores do sexo, coerção sexual e a negação da violência na prostituição” 

 

Conexão entre Prostituição e Capitalismo

  1. “Prostituição, liberalismo e escravidão. Por Melissa Farley” 
  2. “Mulheres grávidas estão sendo legalmente cafetinadas para sexo – essa é a forma mais baixa de capitalismo” 

 

Relatos e falas de sobreviventes da Prostituição

  1. “25 anos” 
  2. “Você é nada” 
  3. “Não é trabalho sexual” 
  4. “Trabalhar em um bordel da Nova Zelândia foi nada como “um trabalho como qualquer outro” ” 
  5. “A ideia de que “vozes de trabalhadoras sexuais” são ignoradas pela mídia é uma piada” 

 

Relatos e falas de compradores sexuais (ou melhor dizendo, estupradores)

  1. “Prostituição: palavra dos homens” 

 

Conexão entre Prostituição e Misoginia

  1. “Porque pagar por sexo é leal em tantos países? Porque as leis são feitas por homens” 

 

Discussões sobre Prostituição

  1. ““Os perigos de renomear a prostituição como ‘trabalho sexual’” de Kat Banyard” 

 

Danos psicológicos decorrentes da Prostituição

  1. “Prostituição: seres humanos sendo desumanizados. Uma conversa com psiquiatra alemão, Dr. Lutz-Ulrich Besser, fundador e diretor do centro de Trauma Psicológicos e Terapia por Trauma de Baixa Sinfônica.” 
  2. “Um soldado e uma trabalhadora sexual entram em um consultório de terapia. Quem é mais provável ter PTSD?” 

 

Livros

  • “Não uma Escolha, Não um Trabalho” de Janice Raymond.
  1. “Agradecimentos do Livro “Não uma Escolha, Não um Trabalho” de Janice Raymond”
  2. “Introdução do Livro “Não uma Escolha, Não um Trabalho” de Janice Raymond” 
  3. “Capítulo 1 do Livro “Não uma escolha, não um trabalho” de Janice Raymond” 
  4. “Capítulo 2 do Livro “Não uma escolha, não um trabalho” de Janice Raymond” 
  5. “Capítulo 3 de “Não um trabalho, não uma escolha” de Janice Raymond” 
  6. “Capítulo 4 de “Não uma escolha, não um trabalho” de Janice Raymond” 
  7. “Capítulo 5 de “Não uma escolha, não um trabalho” de Janice Raymond” 

 

  • “Vagina Industrial” de Sheila Jeffreys [incompleto]
  1. “Introdução do livro “A Vagina Industrial” de Sheila Jeffreys” 
  2. “Capítulo 1 de “Vagina Industrial” por Sheila Jeffreys” 
  3. “Capítulo 2 de “Vaginal Industrial” por Sheila Jeffreys”
  4. “Capítulo 3 de “Vagina Industrial” por Sheila Jeffreys” 
  5. “Capítulo 4 de “Vagina Industrial” por Sheila Jeffreys”