“A Cafetinagem da Prostituição”, de Julie Bindel, destrói os mitos do mercado do sexo com detalhes implacáveis

O novo livro de Julie Bindel oferece a mais compreensiva análise do mercado do sexo até agora

Escrito por Louise Perry e traduzido por Mariana Amaral para o QG feminista

Texto original: Julie Bindel’s ‘The  pimping of prostitution’ destroys de sex trade myths with unforgiving detail

 

“Ouça as profissionais do sexo” tem se tornado o lema daqueles que se opõem às restrições legais ao mercado do sexo. Bem, Julie Bindel as ouviu.

A Cafetinagem da Prostituição é composto por cerca de 250 entrevistas, conduzidas em 40 países, cidades e estados. Bindel conversou com organizações de profissionais do sexo que se opõem ao Modelo Nórdico; com políticos, policiais, e especialistas em saúde pública que definem as políticas do mercado do sexo; com proxenetas e cafetões, com madames que tornam meninas e mulheres prostituídas, presas em potencial. Mas acima de tudo, ela ouviu as sobreviventes. Não as “profissionais do sexo” brancas, bem educadas, vindas da classe média e com PhDs, que dominam a cobertura midiática sobre a prostituição, mas com as mulheres que sabem como ela realmente é. Esse é um livro que transborda a voz das mulheres.

Há momentos em que é difícil continuar lendo. A visita de Bindel a um bordel legal em Nevada fica presa na mente. Ela conhece Sindy, uma jovem com deficiência de aprendizado e que foi vendida para o bordel Mustang Ranch pelo pai de seu namorado. A madame que “gerencia” o lugar sabe exatamente que Sindy é deficiente, e a descreve como “uma criança de 9 anos presa em um corpo de adulta”, mas ela aparentemente não vê motivos para não continuar lucrando com o abuso sofrido por Sindy. A madame é perspicaz em representar o mercado do sexo de Nevada como seguro e sanitário — um modelo a ser emulado pelo resto do mundo — e insiste que ela cuida das garotas. Ela explica que quando Sindy “festeja” (isso é, quando um comprador de sexo paga para transar com Sindy) “uma das garotas vai sempre para dentro do banheiro perto do quarto, para garantir que o homem não tire vantagem dela quando perceber o que ela é.”

O opositores do Modelo Nórdico nos fazem acreditar que a prostituição é inevitável. Eles argumentam que mulheres como Sindy vão sempre cair no mercado do sexo, então por que não fazer campanha para melhorar as condições desse “trabalho”? Descriminalizar cafetões e clientes, eles dizem, resulta em uma “redução de danos” — fazer a vida um pouco mais segura e um pouco mais tolerável para mulheres e meninas prostituídas. Esse episódio no bordel Mustang Ranch nos mostra o quão fraca essa abordagem realmente é. “Redução de danos” oferece a mulheres como Sindy nada a além de uma possível testemunha em um quarto ao lado. Nada acontece para reduzir o perigo e o trauma a que ela é exposta porque essas políticas não atingem a fonte — os homens que pagam para abusar sexualmente dela. Como a sobrevivente e ativista Rachel Moran comenta a Bindel, essa abordagem “sugere que a prostituição em si não é o problema” quando na verdade “a prostituição é exatamente o problema.” Diferente dos defensores do modelo da “redução de danos”, abolicionistas não querem apenas mitigar os perigos do mercado do sexo, eles querem acabar com ele completamente.

Relatos como o de Sindy são centrais para a formulação do argumento de Bindel, mas ela vai mais além do que apenas recontar uma série de histórias de horror. No fim de seu prefácio, ela cita Andrea Dworkin:

“Eu passei 20 anos escrevendo esses livros. Se eu quisesse apenas chamar os homens de monstros e gritar, isso teria me levado 30 segundos.”

A Cafetinagem da Prostituição é o relato mais compreensível sobre as políticas do mercado do sexo que eu já li. Ele vai bem além de apenas direcionar o ódio contra os crimes praticados contra mulheres e meninas, mesmo que haja uma boa dose de raiva justificada no âmago deste livro. É uma refutação completa dos mitos vendidos pelo lobby pró-prostituição.

Bindel articula meticulosamente o argumento abolicionista em uma série de capítulos focados no movimento de direitos das profissionais do sexo, nas ONGs de direitos humanos, organizações de caridade para tratamento do HIV/AINDS, ativistas “queer”, e, acima de tudo, acadêmicos. Ela mostra como todos esses grupos ajudaram a cafetinar a prostituição — para sanitarizar e ocultar a realidade do mercado do sexo. Bindel é notavelmente justa em seu resumo desses argumentos, geralmente citando a própria fala dos proponentes. Essa não é uma cortesia estendida aos abolicionistas, que são frequentemente descartadas como odiadoras de homens pudicas, com ligações com os conservadores religiosos. Bindel também frequentemente recebeu respostas negativas ao tentar conversar com pessoas dentro da academia e envolvidas com os “direitos das profissionais do sexo”. Estariam eles com medo do que ela possa descobrir?

Existe uma boa quantidade vilões à espreita e à superfície, como Bindel descobriu por meio de investigações profundas sobre indivíduos envolvidos no lobby pró-prostituição. Ela expõe a relação próxima entre o cafetão Douglas Fox e a União Internacional das Profissionais do Sexo (IUSW), uma organização que clama falar pelas mulheres inglesas envolvidas no mercado do sexo. O traficante de humanos e fraudador John Davies é delatado por ter se passado como um pesquisador acadêmico legítimo, escrevendo defesas à indústria do sexo sob o manto protetor da Universidade de Sussex. Ela traz à luz evidências de que Peter McCormick, outro cafetão, financiou uma campanha fazendo oposição à introdução do Modelo Nórdico na Irlanda. Todos esses homens receberam a respeitabilidade dos “ativistas dos direitos das profissionais do sexo”e seus apoiadores, não apenas na academia.

Acadêmicos anti-abolicionismo vão odiar esse livro. O relato de Bindel sobre sua participação em uma conferência em Viena em 2015 sobre políticas para prostituição é revelador. Praticamente quase todo acadêmico que se pronunciou no evento era contra o Modelo Nórdico, e usaram uma variedade grande de eufemismos odiosos para descrever as realidades do mercado do sexo. A cafetinagem foi descrita como “práticas de negócios”, e os atos sexuais como “serviços afetivos e eróticos”, e o estupro como “quebra de contrato”. “Coagir”, “vítima” e “tráfico” estão apenas em citações chocantes. Essa abordagem é a norma na academia; e esses não são, como Bindel coloca, “indivíduos inofensivos e inefetivos em suas torres de mármore publicando artigos que ninguém lê.” É evidente que acadêmicos desempenharam um papel importante em promover o mercado do sexo e em influenciar políticas governamentais. Eles têm muito pelo que responder.

Ainda assim, apesar de tudo, esse é um livro otimista. O movimento de sobreviventes está crescendo, e um número crescente de países estão adotando o Modelo Nórdico. Bindel finaliza, assim como começa, com o depoimento de sobreviventes que lutam contra a opressão mais antiga: mulheres que “se juntam por meio das políticas feministas e pela força da esperança.” Sim, ainda temos um longo caminho a percorrer, mas existem razões para se acreditar.

Louise Perry é uma escritora feminista que vive em Oxford, UK. Ela está atualmente escrevendo um livro sobre a história de se comprar e vender partes do corpo humano.

 

Livros em português sobre prostituição

Por Mayara Balala 

Se você tá lendo isso é porque tem o privilégio de ter acesso à informação, o privilégio de ter acesso à internet e o privilégio de saber ler. É um privilégio pra nós a partir do momento em que tanta gente ao redor do mundo não tem essa mesma oportunidade e eu acho que a gente deveria fazer alguma coisa com esse privilégio.

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A literatura anti prostituição foi majoritariamente composta por mulheres incríveis e maravilhosas que corajosamente dedicaram a vida delas a lutar por um mundo onde mulheres não sejam esmagada pela supremacia masculina e isso não foi pra vocês se prestarem ao papel de – tendo acesso à informação – discutirem sobre prostituição usando desinformação e frase de efeito.

Eu recomendo de verdade que, se vocês puderem, leiam esses livros. Porque eles são muito importantes, tratam de um assunto muito urgente e têm muito a agregar à nossa discussão e à nossa prática.

Não Uma Escolha, Não Um Trabalho (2013)
Janice Raymond

book cover not a joice not a job Uma geração atrás, a maioria das pessoas não sabia o quão generalizado e grave o tráfico humano era. Agora muitas pessoas concordam que o negócio de 35,7 bilhões de dólares é uma horrenda violação de direitos humanos. Mas, quando confrontadas com prostituição, muitas pessoas experimentam uma estranha incoerência porque a prostituição está envolta em mitos, entre eles os clamores de que “prostituição é inevitável” e “prostituição é um emprego e serviço como qualquer outro”. Em Não Uma Escolha, Não um Trabalho, Janice Raymond desafia tanto os mitos como os perpetradores. Raymond demonstra que prostituição não é sexo, mas exploração sexual, e que legalizar e descriminalizar o sistema de prostituição -hostilmente às mulheres prostituídas – promove tráfico sexual, expande a indústria do sexo e convida crime organizado. Especificamente, Raymond expõe como a prostituição legalizada nos Países Baixos, Alemanha, Austrália e Nevada piora o crime e põe mulheres em perigo. Em contraste, ela revela, quando governos trabalham para prevenir a demanda por prostituição reprimindo cafetões, bordéis e usuários da prostituição, mulheres são mais protegidas e menos homens compram sexo. Raymond expande as barreiras do scholarship em estudos das mulheres, tornando esse livro indispensável para advogados dos direitos humanos ao redor do mundo.

[sinopse retirada – em inglês – do site da Amazon]

> PDF do livro original em inglês

> Links para os capítulos em português:
Prefácio
Agradecimentos
Introdução
Capítulo 1- Mitos e criadores de mitos da prostituição
Capítulo 2 – Prostituição em demanda: os usuários da prostituição
Capítulo 3 – Nação da prostituição: o Estado da prostituição na Holanda
Capítulo 4 – Desenvolvimento econômico ou oportunismo econômico? Tráfico, prostituição e complexo de prostituição militar
Capítulo 5 – Boas práticas para o futuro

 

A vagina Industrial – A Economia Política do Comércio Global do Sexo (2008)
Sheila Jeffreys

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 A industrialização da prostituição e do comércio sexual criou um mercado global de muitos bilhões de dólares, usando milhões de mulheres, que faz uma contribuição substancial às economias nacionais e globais.
A Vagina Industrial examina como prostituição e outros aspectos da indústria do sexo saíram de práticas de pequena escala, clandestinas e socialmente desprezadas para se tornarem setores de mercado muito lucrativos e legitimados que são legalizados e descriminalizados por governos. Sheila Jeffreys demonstra como a prostituição foi globalizada através de uma examinação:

  • do crescimento da pornografia e seu novo alcance global
  • o boom de lojas de adultos, strip clubs e agências de acompanhantes
  • da prostituição militar e violência sexual na guerra
  • do casamento e indústria de esposas encomendadas pelo correio
  • do aumento do turismo sexual e tráfico de mulheres

Ela argumenta que através dessas práticas a subordinação das mulheres foi terceirizada e que Estados que legalizam essa indústria estão agindo como cafetões, possibilitando que homens compradores em países onde a igualdade das mulheres ameaça a dominação masculina comprem acesso aos corpos de mulheres de países pobres que são pagas por sua subordinação sexual.
Essa enorme e provocativa contribuição é uma leitura essencial para todos com interesse em feminismo, gênero e questões críticas sobre globalização, tal como para estudantes e estudiosos de economia política internacional.

[sinopse retirada do livro original em inglês]

PDF do livro original em inglês

Links para os capítulos em português:
Introdução
Capítulo 1: Feministas e a indústria do sexo global – Líderes de torcida ou críticas?
Capítulo 2: Casamento e prostituição
Capítulo 3: A economia política internacional de pornografia
Capítulo 4: O boom do strip club

(o restante do livro ainda não foi traduzido, mas será publicado na página em breve)

 

Um silêncio a cada esquina: representações sociais de prostitutas sobre a regulamentação da “profissão” (2017)
Mariana Luciano Afonso

Capa_silencio-388x591 Há cerca de 20 anos vem sendo propostos, no Brasil, diferentes projetos de lei para regulamentar a prostituição como profissão. Alguns setores importantes da sociedade são a favor da regulamentação, outros contra, mas o que pensam as prostitutas sobre a atividade que realizam? Elas a consideram um trabalho? Querem a regulamentação? Desejam continuar na atividade? Busca-se, aqui, romper silêncios e ouvir o que têm a dizer essas mulheres. Este livro é fruto de uma pesquisa de mestrado em Psicologia Social na UFSCar, que investigou as representações sociais de prostitutas sobre a regulamentação da prostituição. A pesquisadora conviveu intensamente com elas. Ao percorrer o território da prostituição de rua, a pesquisadora se deparou com três instituições que intervêm naquele espaço: uma de comerciantes e policiais; uma religiosa; e uma ONG. Mostram-se as ações e posicionamentos dessas instituições. São analisados, ainda, os projetos de lei de regulamentação da prostituição e aspectos históricos da prostituição no Brasil e no mundo.

[sinopse retirada do link a seguir]

Resenha do livro, pelo jornalista Fábio de Oliveira Ribeiro

Link para compra do livro

Outros livros

Se você lê em inglês, eu recomendo que você dê uma olhada nessa lista aqui:

https://nordicmodelnow.org/resources/books/

Pelo fim da indústria do estupro – Exploração não é trabalho

[RESENHA] Pimp State – os horrores da indústria do sexo

Escrito por Kat Banyard para o The Guardian

Traduzido por Carol Correia


A indústria do sexo é incompatível com o feminismo, este poderoso livro argumenta. Pornografia e prostituição afirmam a supremacia dos homens sobre as mulheres e ambos precisam ser legalmente banidos

Se nós estamos vivendo um ressurgimento do feminismo, Kat Banyard é uma das principais razões. Desde 2010, ela fundou o grupo ativista UK feminista e publicou seu primeiro livro agendado, The Equality Ilusion, ela tem trabalhado assiduamente para os direitos das mulheres. Em 2014, ela lançou a campanha End Demand [Acabe com a Demanda] para trazer o “modelo nórdico” para o Reino Unido – um quadro jurídico que trata o ato de compra de sexo como violência contra as mulheres, que criminaliza os compradores, que descriminaliza a prostituída e estabelece serviços para apoiar aquelas que saem do comércio do sexo. Pimp State [em tradução livre, Estado Cafetão] é um relato detalhado do caso contra a indústria do sexo e a favor do modelo nórdico: firmemente argumentado, estreitamente comprovado e persuasivo em seu apelo à ação.

É uma coisa oportuna, porque tão duro como Banyard e seus colegas ativistas trabalham, a indústria do sexo (uma preocupação internacional de multi milhões de libras) têm os recursos e meios de comunicação para atingi-las. Até recentemente, era axiomático que o feminismo estava em oposição à pornografia e prostituição. Quando Janet Radcliffe Richards argumentou em The Feminist Sceptical (1980), que “feministas não deveriam se opor a…. a fazer uma vida por meio da utilização e valorização dos atributos sexuais”, como ela mesma explicitamente se posicionou ao contrário de outras feministas. Desde então, o contexto mudou: há agora, Banyard escreve, uma “presunção subjacente de que o comércio do sexo é compatível com o feminismo; que não precisamos trabalhar para acabar com ela; que ele pode ser reformado.”

Banyard metodicamente desmonta os “mitos” que suportam esta presunção. Pimp State não se limita a atividades consideradas como prostituição convencionalmente. Em vez disso, Banyard se preocupa com o campo inteiro de serviços sexuais comerciais, incluindo lap dance e pornografia. O Pimp State que ela apresenta a nós para resistirmos é “uma cultura e um conjunto de leis que incentivam e facilitam o acesso sexual pago de homens para os corpos das mulheres”. Este é um argumento mais amplo do que o de Pornland tratado em 2010 por Gail Dines, que se concentrou especificamente em pornografia; e mais estreito que Sheila Jeffreys no livro de 2008 The Industrial Vagina (A Vagina Industrializada, em tradução livre), que abraçou uma crítica a noivas por correspondência e a instituição do casamento.

Mas ele funciona para Banyard, porque ele permite que ela argumente insistentemente para uma mudança nas leis que regem a prostituição, ao mesmo tempo demonstrando os danos extensos que sangram da indústria do sexo na sociedade como um todo. É frequentemente afirmado que a legalização e a regulamentação da indústria são as únicas abordagens econômicas lógicas (a cargo ocupado, por exemplo, pela Economist), mas Banyard adverte que tal capitulação ao mercado depende de contabilidade falsa, ignorando “externalidades – os custos impostos pelo mercado de intercâmbio sobre as partes não envolvidas diretamente”.

Quais são os custos? Das mulheres, a indústria do sexo extrai qualquer possibilidade de uma sexualidade auto-dirigida. Legitimando o direito masculino ao sexo, que ensina aos homens que o prazer das mulheres é irrelevante para o sexo, e, em seguida, incentiva os homens a acreditarem que as mulheres devem dar a aparência de desfrutar de tudo o que um homem quer fazer com elas. É a coerção final: para ser negado não só a sua própria vontade, mas até mesmo a capacidade de mostrar que você tem uma vontade. Enquanto isso, a legislação do assédio sexual duramente conquistada torna-se sem sentido enquanto a indústria do sexo é normalizada: “E quando um chefe do sexo masculino pede a sua secretária do sexo feminino para dar um boquete?… Se este é um trabalho normal, em seguida, na pior das hipóteses a tarefa solicitada é apenas fora de sua descrição do trabalho”.

Os homens também devem pagar as suas dívidas a indústria do sexo, embora como clientes sofrem nenhum dos danos infligidos a mulheres. “Uma minoria de homens atualmente exige a prostituição, mas a prostituição exige algo deles, também. Eles têm que serem proficientes em ver as mulheres como objetos sexuais desumanizados. “No entanto, em troca desse sacrifício, os homens têm a garantia de sua supremacia sobre as mulheres. E é em descrever as consequências desta supremacia para as mulheres na indústria do sexo nesse Pimp State que é mais poderoso, discriminando tanto o sofrimento físico e sua aflição psicológica. Como uma sobrevivente diz: “Queremos sentir novamente e você está com medo de sentir novamente por causa do que você vai se sentir.”

Em tudo isto, há pouco espaço para o tipo de autodirigido, cabeça-dura individual que é a face pública do “trabalho sexual como trabalho” – mulheres como aquelas que informaram a Kirsten Innes em 2015 do livro Fishnet, ou Melissa Gira Grant, autora de Playing the Whore em 2014. Alguns podem considerar uma fraqueza, mas fala à recusa de Banyard para discutir sobre quaisquer outros do que seus próprios entes impecavelmente evidenciados termos. Sua análise mostra que os regimes permissivos na Holanda, Alemanha e Nova Zelândia falharam para melhorar a violência, exploração e tráfico. Estes são consequências não inadvertidas do estigma e da repressão, mas em vez disso são fundamentais para o setor: “o fato de que o comércio do sexo é fundado na ausência de desejo sexual mútua significa que a principal situação torna-se como suportar o abuso sexual repetido”, escreve ela. Não é de admirar o arredondamento para cima suficientemente grande da “força de trabalho” só pode ser feito através da força e coerção.

Banyard se preocupa, sobretudo, com os efeitos da mudança estrutural, especialmente quando se trata de pornografia. Isto é habitualmente tratado como uma questão de “liberdade de expressão”, mas ela firmemente defende que deve ser tratado no direito como qualquer instância de pagar por sexo: “Que o fato de que havia uma câmera filmando a presente prostituição não altera o fato básico de que eles” – isto é, os fabricantes e distribuidores de pornografia – “organizaram e/ou lucraram com a prostituição de outra pessoa”. A natureza internacional da indústria pornô significa implementar essa abordagem que pode ser desafiadora: No entanto, este é o ataque legal mais promissor sobre a pornografia desde as leis dos direitos civis de Andrea Dworkin e Catherine MacKinnon os direitos civis na década de 1980.

É um testamento para o sucesso da indústria do sexo na promoção dos seus próprios interesses que ainda seja considerada como tendo um caso. Onde quer que ele encontra aceitação, o horror acompanha – seja na forma de grandes bordeis da Alemanha (onde as mulheres usam anestesia para entorpecer suas vaginas para as múltiplas penetrações necessárias para pagar as taxas de residência); ou a “zona de gestão” criada em Leeds, onde a aplicação das leis ao redor da prostituição foi suspensa (e onde, em dezembro do ano passado, Daria Pionko foi morta enquanto vendia sexo – para um homem de 21 anos de idade, que se declarou culpado de homicídio, mas está sendo julgado por assassinato). Há muitos que gostariam de estabelecer um Pimp State no Reino Unido, mas Banyard mostra por que ele deve ser parado e como detê-los.