Dez grandes mitos sobre a prostituição

Escrito por Laila Mickelwait e Benjamin Nolot para Exodos Cry

Traduzido por Fernanda Aguiar pra AntiPornografia


Os verdadeiros beneficiários da prostituição são proxenetas, traficantes e outras partes interessadas predatórias. Como tal, a indústria do sexo comercial desenvolveu uma narrativa de capa inteligente que esconde a verdade mais profunda do que realmente está acontecendo com aqueles que são vendidos, impedindo o mundo exterior de ver a injustiça. Aqui estão 10 mitos populares sobre a prostituição.

 

Mito # 1: A prostituição é uma forma legítima de trabalho.

A VERDADE: A pesquisa revela que a prostituição é uma forma de violência institucionalizada contra as mulheres. Por exemplo, um estudo de 854 mulheres na prostituição concluiu que 60–75% delas foram estupradas, 70–95% foram agredidas fisicamente e 68% preencheram os critérios de transtorno de estresse pós-traumático nos mesmos níveis que os veteranos de guerra que buscam tratamento de vítimas de tortura organizada pelo Estado[1].

 

Mito # 2: A prostituição é um crime sem vítimas.

A VERDADE: as mulheres que ‘trabalharam’ na prostituição apresentam os mesmos índices de lesão cerebral traumática (TBI), como foi documentado em sobreviventes da tortura. Isto é resultado de ser espancado, atingido, chutado na cabeça, estrangulado ou de objetos jogado na cabeça[2]. (Além disso, veja Mito # 1)

 

Mito # 3: A prostituição é uma escolha.

A VERDADE: A prostituição é principalmente o resultado de falta de escolha entre as pessoas mais marginalizadas, vulneráveis ​​e indefensas do mundo. A maioria das mulheres na prostituição são pobres e são atraídas para a indústria por sua desesperada necessidade de dinheiro. O fato triste é que quase ninguém sai da pobreza através da prostituição. Na verdade, como Catherine Mackinnon afirmou: “Elas têm sorte de sair com suas vidas, dado os números de mortalidade”.[3] Ninguém escolhe ser pobre quando recebe outras opções. Além da condição prévia da pobreza, uma história prévia de abuso físico e/ou sexual na infância é comum entre as mulheres prostituídas. É extremamente raro encontrar uma pessoa na prostituição que não sofreu abuso antes de ter entrado na indústria do sexo. Ninguém escolhe ser abusado[4].

 

Mito # 4: A prostituição é uma forma de capacitação das mulheres.

A VERDADE: A prostituição é um sistema de desigualdade de gênero em que homens são compradores sexuais e mulheres são compradas, perpetuando um sistema de dominação masculina e subordinação feminina.

 

Mito # 5: A prostituição é a profissão mais antiga do mundo.

A VERDADE: A prostituição é a opressão mais antiga do mundo.

 

Mito # 6: A prostituição é diferente do tráfico sexual.

A VERDADE: O tráfico sexual simplesmente descreve uma maneira em que as pessoas são levadas à prostituição.

 

Mito # 7: A prostituição legal proporciona às mulheres um ambiente de trabalho mais seguro e condições mais saudáveis.

A VERDADE: A prostituição legal não expurga a misoginia nos corações dos homens que alimenta a violência tão comum nela, nem os controles de saúde impedem as mulheres de contrair DST ou TEPT. Por exemplo, no Reino Unido, onde a prostituição é legal, mais da metade das mulheres em prostituição foram estupradas e/ou foram abusadas e, pelo menos, 75% foram abusadas fisicamente por proxenetas e clientes. O status jurídico legal da prostituição não altera a violência inerente a ela[5].

 

Mito # 8: Se a prostituição for ilegal, ele será clandestino.

A VERDADE: A prostituição requer visibilidade para os homens obter acesso às mulheres. Se os compradores de sexo podem facilmente encontrá-las, a polícia também pode. Além disso, a prostituição nunca operou “aos olhos de todos” ou “na luz do sol”. Sempre foi e sempre será dirigida por criminosos e aqueles sem consideração pela lei.

 

Mito # 9: Se a prostituição é ilegal, impede as mulheres de ter aceso a ajuda e serviços.

A VERDADE: Sob o “Modelo de Igualdade” ou “Modelo Nórdico” (que penaliza exclusivamente o comprador do sexo), as mulheres na prostituição não são criminalizadas, mas são oferecidos programas e serviços para ajudá-las. Sob este modelo, não há motivo de medo por parte de mulheres prostituídas, uma vez que só podem se beneficiar dos serviços governamentais. Por outro lado, em países como a Alemanha, onde a prostituição é legal e os benefícios são oferecidos, apenas uma pequena fração da prostituição realmente se inscreve para os benefícios.

 

Mito # 10: A pornografia e o strip tease não são prostituição; são uma forma de entretenimento para adultos.

A VERDADE: Na pornografia e no strip, atos sexuais são coagidos por um preço. Isso é, pela definição, prostituição. Além disso, muitas mulheres envolvidas em pornografia e strip tease foram coagidas a esses “empregos” por recrutadores usando táticas manipuladoras semelhantes aos traficantes.


[1] Farley, Melissa et al. (2003). “Prostitution and Trafficking in Nine Countries: An Update on Violence and Posttraumatic Stress Disorder.” Journal of Trauma Practice, Vol. 2, No. 3/4: 33-74; and Farley, Melissa. ed. 2003. Prostitution, Trafficking, and Traumatic Stress. Haworth Press, New York.

[2] Jacobs, U., & Iacopino, V. (2001). “Torture and its consequences: A challenge to clinical neuropsychology.” Professional Psychology: Research and Practice, 32, 458-464.

[3] J. Potterat, D. Brewer, S. Muth, R. Rothenberg, D. Woodhouse, J. Muth, H. Stite, and S. Brody, “Mortality in a Long-term Open Cohort of Prostitute Women,” American Journal of Epidemiology 159:778–785, (2004). Longitudinal study of prostitution in Colorado Springs – sample size: 1,969 people in prostitution from 1967-1999. Longitudinal study of prostitution in Colorado Springs – sample size: 1,969 people in prostitution from 1967-1999. “They identified 117 definite or probable deaths and had sufficient information on 100 to calculate a crude mortality rate (CMR) of 391 per 100,000 (95% confidence interval (CI): 314, 471). In comparison with the general population, the standardized mortality ratio (SMR), adjusted for age and race, was 1.9 (95% CI: 1.5, 2.3).”

[4] MacKinnon, C. A. (2011). Trafficking, prostitution, and inequality. HARv. cR-cLL REv., 46, 271.

[5] UK Home Office (2004) Solutions and Strategies: Drug Problems and Street Sex Markets: London: UK Government.