Prostituição: Onde Racismo e Machismo se Interseccionam

Discurso de Vednita Nelson (1) – publicado originalmente em inglês no Jornal de Gênero & Lei de Michigan, 1993, Volume 1: 81-89. (2)

Traduzido por Mayara Balala

Texto original: Prostitution: Where Racism and Sexism Intersect

Sexta-feira, primeiro de janeiro de 1993

Nota da tradutora: Embora o discurso se refira à situação e às dinâmicas dos Estados Unidos, acredito que se possa fazer importantes paralelos em relação ao Brasil

vednita prostituição

Mulheres negras se encontram em uma posição única e extremamente difícil em nossa sociedade. Elas são forçadas a lidar com a opressão que advém de de ser negra em uma cultura de supremacia branca e com a opressão que advém de ser mulher em uma cultura de supremacia masculina. Na ideia de examinar a experiência de ser negra e mulher, esse artigo se propõe a discutir esse espaço muito apertado e difícil onde mulheres negras tentam sobreviver – esse espaço onde racismo e machismo se interseccionam.

Recentemente, na primavera de 1992, a América estava colada na televisão assistindo o Leste de Los Angeles entrar em chamas em resposta a um veredito de tribunal que absolveu quatro policiais brancos do espancamento brutal de um homem afro-americano.(3) Quando o veredito foi pronunciado, a América branca descobriu o que negros americanos sempre souberam: quem conta e quem não conta. De uma ponta do país à outra, brancos e negros marcharam para protestar contra a brutalidade da força policial de Los Angeles e o racismo do sistema criminal de justiça que protegeu e exonerou os policiais. É claro, eu também estava revoltada.

No entanto, enquanto a América liberal desfilava faixas e ostentava camisetas com os dizeres “Justiça para Rodney”, enquanto radicais e acadêmicos negros de igual modo proclamavam que o homem negro era uma espécie ameaçada na América – destruído pela polícia, (4) destruído por drogas, (5 )ou destruído por si mesmo (6) – onze mulheres negras estavam silenciosamente sendo assassinadas em Detroit. (7) Onze mulheres negras foram estranguladas. Onze mulheres negras foram sexualmente mutiladas. Os corpos de onze mulheres negras foram descartados em prédios abandonados debaixo de pilhas de lixo em um período de nove meses.

Eu tive que me perguntar. Onde estava o ultraje? Por que a comunidade não estava revoltada? Claramente existia um padrão ali. Todas as mulheres eram pobres. Todas as mulheres eram negras. Todas as mulheres foram usadas na prostituição. Não existia nenhuma razão para acreditar que o assassino não atacaria novamente. Então, eu tive que me perguntar, onde estava o ultraje? Um homem negro é espancado por quatro policiais brancos e cada ativista da comunidade negra no país, incluindo o Reverendo Jesse Jackson, está berrando contra a violência racista e a cultura de miséria que provocou os protestos em L.A.. (8) Onze mulheres pobres e negras são assassinadas e mutiladas, seus corpos são jogados fora como um monte de lixo, e a única coisa que nós ouvimos, além do ensurdecedor silêncio,  é um ministro batista local lamentando que aquelas mulheres “já estavam entre os mortos vivos” (9). Onde racismo e machismo se encontram? Se você me perguntar, eles se encontram em uma pilha de lixo, em um prédio abandonado, em Detroit.

Racismo torna mulheres e garotas negras especialmente vulneráveis à exploração sexual e as mantém presas na indústria do sexo. Ele faz isso ao limitar oportunidades de educação e carreira para mulheres afro-americanas nesse país. (10) Ele faz isso através de um sistema de assistência social que dividiu a família negra pobre. Se uma mãe trabalha, ou o pai de seus filhos contribui para seu sustento, seu auxílio de dinheiro e de alimentação são cortados nessa quantidade. (11) Assim, mulheres negras pobres são deixadas sozinhas para encontrarem a si mesmas e a suas crianças em assistência inadequada para famílias com crianças (12).

Estereótipos racistas na mídia mainstream e na pornografia retratam mulheres negras como animais selvagens que estão prontos para qualquer tipo de sexo, a qualquer hora, com qualquer um. (13) Além disso, clubes de strip e “casas de massagem” são tipicamente localizados em vizinhanças negras, (14) o que dá a homens brancos a mensagem de que está tudo bem solicitar mulheres e garotas negras para sexo – de que nós somos todas prostitutas. Em quase qualquer noite, você pode vê-los lentamente passando pelos nossos bairros, abaixando os vidros, chamando mulheres e meninas. E nós temos a mensagem crescendo, do jeito como nossas filhas a recebem hoje, de que isso é como é, de que isso é quem nós somos, de que isso é para o que nós servimos. (15)


Muitas pessoas têm dito que prostituição é tolerada na comunidade negra. (16) Essas pessoas estão erradas. Nós não toleramos prostituição; ela foi imposta a nós. Ela foi imposta a nós desde os dias de escravidão, quando o mestre saía para o campo e escolhia a mulher negra que quisesse para fazer sexo.(17) Escravas de pele clara, conhecidas como fancy girls (“garotas chiques”) eram vendidas por altos preços no mercado e mais tarde alugadas ou vendidas para bordéis. (18)

Hoje em dia, homens brancos de classe média dos subúrbios dirigem pelos guetos da América para escolher qualquer mulher ou menina negra com quem eles queiram fazer sexo, como se nossas cidades fossem suas próprias plantações privadas. Não, prostituição não é tolerada na comunidade negra mais do que escravos afro-americanos a toleravam nas plantações; ela foi imposta a nós.

Uma vez que uma mulher negra entra na prostituição, se torna mais difícil para ela sair do que para uma mulher branca. Racismo nos tribunais resulta em mulheres negras pagando fianças maiores e passando mais tempo na cadeia do que mulheres brancas.(19) Oficiais de condicional e trabalhadores de proteção à criança racistas podem criar planos de caso quase impossíveis para mulheres negras, condenando-lhes a falhar e resultando em seu retorno para a cadeia ou em perda da custódia de seus filhos.(20)

A lacuna de serviços culturalmente sensíveis designados por membros da comunidade negra para mulheres da comunidade negra mantém mulheres presas na prostituição. Mulheres negras que estão tentando escapar de situações abusivas e exploradoras são forçadas a procurar ajuda em agências brancas. Isso cria uma barreira dupla. Primeiro, existe um forte tabu na comunidade negra sobre falar com gente de fora, particularmente brancos, sobre problemas de dentro da comunidade negra. Segundo, mesmo que mulheres superem esse obstáculo, agências predominantemente brancas são mal equipadas para entender e lidar com os problemas de mulheres negras pobres.

O problema pode ser tão simples como uma barreira de linguagem. Mulheres negras que usam gírias do gueto como uma forma de expressão são vistas como “burras” porque muitos assistentes sociais têm dificuldade em entendê-las.(21) Por outro lado, o problema pode ser tão complexo como “ferramentas apropriadas de criação de filhos”. Bater ou não bater se tornou um pomo da discórdia entre trabalhadores, brancos, de proteção à criança e advogados, frequentemente brancos, de mulheres agredidas que enxergam bater como abuso infantil  e mães afro-americanas que acreditam que isso seja uma forma apropriada e necessária de disciplina.(22)

Um problema mais profundo é a falha em entender a dor emocional negra, a dor que afro-americanos experimentam por sua inabilidade de reconhecer, se orgulhar e estar em paz com suas próprias identidades afro-americanas. A causa raiz da dor emocional negra é racismo branco. Outras causa são as formas sutis e explícitas pelas quais negros internalizaram os valores da cultura branca: cabelo liso é cabelo “bom”; cabelo ondulado, crespo, cacheado é cabelo “ruim”. Pele clara é “boa”; pele marrom escuro ou preta é “ruim”. Programas desenvolvidos por e para mulheres brancas não são necessariamente úteis para mulheres negras, mesmo quando efetuados por um profissional negro que adotou a abordagem da agência para resolução de problemas. Por exemplo, terapia tradicional “de conversa” ou grupos que requerem abertura da parte do cliente se provaram mal sucedidos com afro-americanos.(23) Adicionalmente, diferença de classe entre o profissional negro de classe média e o cliente pobre podem muitas vezes alimentar desconfiança.

Uma subclasse afro-americana que tem em seu cerne uma cultura moldada pelo legado da escravidão e que é definida por abuso e vício em drogas e álcool se desenvolveu nos Estados Unidos .(24) A subclasse negra inclui beneficiários de programas sociais de segunda e terceira geração, tem gangues como uma instituição social e tem uma economia clandestina erguida em tráfico de drogas e prostituição. Hoje, a subclasse negra inclui números crescentes dos pobres rurais, tal qual aqueles que são criados em grandes ambientes urbanos.(25)

A subclasse negra, junto com alguns membros dos pobres de outras raças, compõe a cultura de pobreza. Seus membros compartilham um sistema comum de valores e comportamentos.Eles não têm acesso a recursos econômicos legítimo e tratamento médico adequado, forçando-lhes a recorrer a cuidados de saúde de pronto-socorro.(26) Eles são alienados da maioria das instituições sociais exceto aquelas que perpetuam o ciclo de pobreza e desespero: assistência social, punições e a economia clandestina.(27)

A maioria das mulheres negras usadas na prostituição nasceram dentro da subclasse negra. Elas perderam suas infâncias para as ruas. Muitas delas chegaram à idade adulta em centros de detenção juvenil e amadureceram em estabelecimentos penitenciários para adultos. Elas criaram alguns de seus filhos presas e perderam alguns de seus filhos para a cultura de pobreza, e se nós não fizermos algo rápido, elas vão criar e perder seus netos desse jeito também.(28)

Então qual é a solução? Isso depende do que você vê como o problema. Se você vê o problema como ajudar mulheres negras a sair da prostituição, então nós vamos continuar desenhando programas de “ajuda” para mulheres individuais. Isso não é uma coisa ruim para fazer, exceto por que a cultura continua criando mais prostitutas, que precisam de mais programas para conseguir mais ajuda. O movimento feminista, como eu o entendo, deve ser um movimento de libertação. Ao invés disso, o que nós temos hoje é uma “unidade M.A.S.H.”* que, enquanto é de alguma forma útil para mulheres brancas que foram vítimas da contínua guerra contra mulheres, é terrivelmente inadequada para curar as profundas ondas de misoginia que estão infectadas com racismo.

Da minha perspectiva, o problema é enraizado nesse espaço muito difícil e apertado onde mulheres negras tentam sobreviver, esse espaço onde racismo e machismo se interseccionam. A libertação das mulheres negras requer dois cursos de ação. Primeiro, os líderes predominantemente homens na comunidade negra devem se comprometer a acabar com a violência contra mulheres com o mesmo vigor com que se aplicam a acabar com o racismo. Eles devem começar a perceber que nós, mulheres afro-americanas, somos simplesmente tão vitais quanto eles para a sobrevivência da comunidade afro-americana.

Segundo, mulheres brancas devem fazer um esforço conjunto para acabar com o racismo, começando com uma examinação de seu próprio racismo, e a partir daí trabalhar dentro de suas próprias comunidades. Organizações feministas devem estar dispostas a tomar posições ativas contra injustiça racial na sociedade. Poucas, se algumas, organizações feministas condenaram o tratamento de Rodney King e a subsequente exoneração dos policiais que o agrediram**. Como podem as feministas mainstream clamar que ligam para mulheres negras e para racismo e, mesmo assim, não tomar ação quando nossos filhos, parceiros e pais são sujeitados a assédio e abuso diário pela polícia? Como podem as feministas mainstream clamar que ligam para mulheres negras e racismo quando elas falham em gritar contra os homens brancos que pagam pelo direito de abusar sexualmente de nossas filhas e irmãs, ou contra a polícia que marcou essas mesmas mulheres para prisão e aprisionamento, enquanto seus abusadores, os joãos que caçam na nossa comunidade, saem livres? É tempo para as feministas brancas de se firmar ao nosso lado, de lutar contra opressão racista e machista e de tomar os mesmos riscos que nós tomamos. A comunidade feminista mainstream deve lutar ativamente para acabar com ambos os sistemas. Se não, o clamor “sororidade é poderosa” vai restar como um slogan vazio para mulheres negras.

 

Notas da tradutora:

*Acredito que o termo faça referência a Mobile Army Surgical Hospital (Hospital Cirúrgico Móvel do Exército) – unidades médicas usadas durante a guerra. O termo se popularizou pela série norte americana M*A*S*H*, que retratava uma unidade M.A.S.H. fictícia

** Acredito que seria interessante se ao invés de cobrar que organizações feministas lutem contra casos de violência direcionada homens negros ela cobrasse que organizações feministas lutem contra a violência direcionada a mulheres negras. Ela perguntou quantas organizações feministas condenaram o tratamento de Rodney King, mas o que eu gostaria muito de saber é quantas organizações feministas condenaram e se posicionaram sobre os assassinatos em série de mulheres negras prostituídas que ela citou. Acolher homens negros pode não ser uma responsabilidade do feminismo – acolher mulheres negras com certeza é.

 

Se você olhar as notas de rodapé desse texto vai ver que se refere à Vednita Nelson como agente do WHISPERS. Esse programa foi extinto há anos depois que o apoio (financeiro, acredito eu) diminuiu. Mas Vednita, sendo ela mesma uma sobrevivente, se recusou a abandonar sua missão de ajudar mulheres e garotas cujas vidas foram devastadas pela prostituição e pelo tráfico sexual.

Em 1996 ela fundou o Breaking Free , uma organização não governamental e sem fins lucrativos que ajuda mulheres e garotas a escaparem de sistemas de prostituição e exploração sexual através de advocacia, serviços diretos, moradia e educação. O Breaking Free já existe há 22 anos e continua se expandindo. Do ano de sua fundação até 2015, essa organização já havia servido a mais de 7000 clientes e alcançado mais de 22000 indivíduos através de assistência de rua.

 


 

Notas de rodapé:

(1) Esse artigo é essencialmente o discurso que a senhora Nelson apresentou no simpósio intitulado “Prostituição: da Academia ao Ativismo” do Jornal de Gênero & Lei de Michigan, realizado em 31 de outubro de 1992,  na faculdade de direito da Universidade de Michigan. A maioria de suas “expressões de fala” foram preservadas para manter a autenticidade.

(2) Vednita Nelson é diretora advocativa do WHISPERS (Women Hurt in Systems of Prostitution Engagen in Revolt – “Mulheres Feridas em Sistemas de Prostituição Engajadas em Revolta”) que fica em Minneapolis, Minnesota. Ela tem vasta experiência trabalhando com mulheres encarceradas e mulheres em transição da prisão, providenciando advocacia individual, aconselhamento de emprego e suporte emocional para mulheres em reintegração na comunidade. Atualmente, ela facilita os grupos de educação/apoio do WHISPER para sobreviventes da prostituição. A senhora Nelson serve no Women of
Color Health Alternatives Network (“Rede de alternativas das Mulheres de Cor”) e conduziu workshops em conferências estaduais organizadas pala Minnesota Coalition Against Sexual Assault (“Coalização Contra a Violência Sexual de Minnesota”) e pela Minnesota Coalition for Battered Women (“Coalização de Minnesota para Mulheres Espancadas”).

(3) People v. Powell, No. BA035498 (Super. Ct. Los Angeles County, Cal. 1992).

(4) Evidência anedótica de assédio policial é abundante. Veja, eg., Jesse Jackson, Fire and Loathing. THE GUARDIAN, 5 de maio de 1992. Veja Generally Racist Violence, THE 1992 WOMEN’S WATCHCARE NETWORK LOG (Women’s Project, Little Rock, Ark.), Mar.-Apr. 1993, em 12 (em arquivo com o Michigan Journal of Gender & Law) (dando descrições detalhadas de incidentes de brutalidade de policiais brancos contra afro-americanos. Por exemplo, giving detailed descriptions of incidents of brutality by white police officers against African-Americans. For example, o boletim documenta que em Little Rock, Arkansas, durante 1992, aconteceram 5 incidentes nos quais um oficial de polícia atirou em uma pessoa. Cada um desses incidentes envolveu um homem branco que havia atirado em um homem negro).

(5) Em 1989, 48% dos encarcerados com resultado de acusações por drogas era negro.CAROLINE W. HARLOW, U.S. DEP’T OF JUSTICE, DRUGs AND JAIL INMATES, 1989 1 (1989).

(6) “No grupo de 15 a 25 anos, a taxa de mortalidade para homens negros é agora 3,25 vezes a de mulheres negras, sendo a causa principal morte a tiros por um membro de sua própria raça.” ANDREW HACKER, Two NATIONS 75 (1992). Suicídio é a terceira causa principal para a morte de homens negros jovens  Sharon Shahid, We’re Saying If We Don’t Try Something New, We Are Doomed, USA TODAY, Aug. 15, 1991, em Al I (citando a Comissão de Homens Afro-americanos). Um relatório para o projeto de sentenciamento do Departamento  de Justiça dos E.U.A. indica que um quarto dos homens negros da nação entre as idades de 20 e 29 anos estão na prisão ou em liberdade condicional. Michael Isikoff & Tracy Thompson, Getting Too Tough on Drugs: Draconian Sentences Hurt Small Offenders More than Kingpins, WASH. POST, Nov. 4, 1990, em C1, C2. BACK

(7) Entre dezembro de 1991 e agosto de 1992, 11 mulheres afro-americanas usadas na prostituição foram encontradas mortas na Área Metropolitana de Detroit. Tipicamente foram oferecidas drogas às mulheres em troca de sexo. Elas foram então sexualmente agredidas, estranguladas e deixadas em prédios abandonados, O assassino em série, Benjamin Thomas Atkins, confessou em agosto de 1992. Veja Valarie Basheda, et al., Did Serial Killer Slay 3 Women in Motel, 3 Others?, DET. NEWS, Feb. 18, 1992, em IA; Jim Schaefer, Body Found in Highland Park, DET. FREE PRESS, Apr. 16, 1992, em I B; Janet Wilson & Jim Schaefer, Police Seek Trail of a Serial Killer, DET. FREE PRESS, May 5, 1992, em 1A; Jim Schaefer, Death Has Similarities to 8 Others, DET. FREE PRESS, June 16, 1992, em 3A; Joe Swickard & Jeffrey S. Ghannam, Man Confesses He’s Serial Killer, DET. NEWS & FREE PRESS, Aug. 22, 1992, em IA; Scott Bowles & Ann Sweeney, Drifter Charged in Highland Park Killings, DET. NEWS & FREE. PRESS, Aug. 23, 1992, em IA.

(8) Veja Jackson, supra note 2; Paul Feldman, Jackson Issues Call for Calm, L.A. Times, May 2, 1992, em B4.

(9) Wilson & Schaefer, supra note 5, em 11A (citando Rev. Jim Holley da Little Rock Baptist Church).

(10) Pesquisadores do Congresso com o Escritório Geral de Contabilidade, em um estudo incompleto, examinaram o programa federal de treinamento de trabalho de quatro bilhões de dólares em 16 estados e descobriram pelo programa de 1989 que negros e mulheres tinham mais propensos do que homens brancos a acabarem em empregos com menor remuneração. Flaws are Found in Jobs Program, N.Y. Timm, Aug. 20, 1991, em A21. 40% de todos os homens negros em grandes áreas urbanas não se formam no Ensino Médio. Uma porcentagem igual de todos os homens negros são analfabetos funcionais. Shahid, supra note 4, em Al 1. Em um distrito escolar de Detroit, onde quase todos os estudantes eram negros, aproximadamente dois terços dos garotos e um terço das garotas que entraram na escola não se formaram. Isabel Wilkerson, Detroit Boys-Only School Facing Bias Lawsuit, N.Y. Times, Aug. 14, 1991, em Al, A17.

(11) Veja Aid to Families with Children, 42 U.S.C. § 602(7)(A) (1989).

(12) Aid to Families with Children, 42 U.S.C. § 602(7)(A) (1989).

(13) See revistas comuns como BIG BLACK Bazooms, BIG BLACK BITCH, BIG TIT BLACK MILK, BLACK AND
Kinky, BLACK Whore, BLACK Fantasy, and Bitchin’ BLACK Ass que regularmente retratam mulheres afro-americanas dessa maneira.

(14) Veja ARLENE CARMEN & HOWARD MOODY, WORKING WOMEN: THE SUBTERRANEAN WORLD OF STREET PROSTITUTION 184-85 (1985).

(15) Em uma entrevista com WHISPER, R.R. relatou:
Garotas jovens têm seus exemplos de alguém. Na minha família e na minha vizinhança e ao meu redor  esse era o estilo de vida, o estilo de vida rápido e doi aí que eu consegui o meu… cafetões me ensinaram, a sociedade me ensinou, minha vizinhança me ensinou, homens no geral me ensinaram que o jeito de se estabelecer é usar minha boa aparência e meu corpo.

Entrevista com R. R., Prostitution: A Matter of Violence Against Women (WHISPER Video, 1988) (em arquivo com a autora).

(16) Por exemplo, em seu estudo, Carmen and Moody sugerem tolerância à prostituição pela comunidade negra:

Prostituição não era uma coisa estranha para mulheres negras, que têm sido sexualmente exploradas desde a escravidão. Em toda cidade sulista nos anos 1920 e 1930 o distrito da luz vermelha estava no outro lado do gueto negro, e jovens garotos brancos “descobriram sua masculinidade” com a ajuda da puta de dois dólares. Prostitutas integravam negros e brancos muito antes que houvesse um movimento pelos direitos civis

CARMEN & MOODY,. supra note 12, em 184-85.

(17) “O homem branco e o capataz tomavam vantagem das mulheres como queriam. Era melhor que as mulheres negras não fizessem barulho sobre isso. Se ela fizesse, esse era o despacho para ela.” Deborah G. White, Ain’t I a Woman? Female Slaves in the Antebellum South 188 (1979) (dissertação não publicada de Ph.D., Univ. of Chicago (Chicago Circle)) (citando Betty Powers, uma ex escrava).

(18) 16. White, supra note 15, em 202-03.

(19) “Em 1998 , a multa média para uma mulher afro-americana por engajar [em prostituição] era de $212,50 e a média de dias de sentença cumpridos é 43, enquanto a multa média para brancas é … $150,00. A média de dias de sentença cumpridos por mulheres brancas é 20 dias… Pelo delito agravado de engajar no mesmo ano, a multa média para mulheres afro-americanas era de $125,00, enquanto a maioria cumpriu pena com uma média de permanência de 96 dias. Para mulheres brancas as figuras correspondente são $200,00 dólares e 18 dias.” Laura Lambert, WHISPER, Sumário de St. Paul Prostitution Related Arrests 24 (1990) (estudo publicado, em arquivo com a autora). Além disso, um estudo não publicado conduzido por WHISPER sobre prisões por prostituição em Minneapolis (Hennepin County, Minn.) durante o período de 1 de janeiro a 30 de junho de 1991 revelou que mulheres afro-americanas constituíam 52% das presas e condenadas por prostituição, enquanto afro-americanos (homens e mulheres) apenas representavam 13% da população. WHISPER, Prostitution: The Criminal Justice Response in Minneapolis (1991) (estudo não publicado, em arquivo com a autora). Nacionalmente, enquanto negros constituem entre 12% e 13% da população geral, eles contabilizam uma desproporcional taxa de 38,9% das prisões de 1990 por prostituição. HACKER, supra note 4, em 180-81.

(20) Por exemplo, T.C., de 25 anos, com duas crianças, teve um case plan que requeria que ela comparecesse ao tratamento sem internação para dependência química quatro vezes por semana, comparecesse aos grupos do WHISPERS uma tarde por semana, comparecesse a aulas de aparentamento duas vezes por semana e se encontrasse com um orientador uma vez por semana. T.T. , de 22 anos, com duas crianças com menos de quatro anos, foi ordenada pela corte a comparecer a um programa de dia inteiro (creche fornecida no local), comparecer aos grupos do WHISPERS uma tarde por semana, e comparecer às reuniões do Alcoólatras Anônimos uma vez por semana. Essas duas mulheres tiveram que usar transporte público e encontrar suas próprias babás para a maioria dessas reuniões. Fora isso, elas tiveram que se encontrar com seus oficiais de condicional, trabalhadores de proteção à criança e representantes do Departamento de Assistência Social, além de fazer numerosas viagens para o tribunal. WHISPER Arquivos Confidenciais de Clientes (1991) (em arquivo com a autora).

(21) K. Alan Wesson, The Black Man’s Burden: The White Clinician, BLACK SCHOLAR, July-Aug. 1975, em 13 (discutindo com qual facilidade um clinico branco pode mal diagnosticar um cliente negro por causa de barreiras de linguagem).


(22) Documentação histórica mostra que punição corporal entre negros vem do período da escravidão. “Pais tinham que passar por um processo de “quebrar” seus filhos, isto é, bater para expulsar todos os comportamentos rebeldes, agressivos, insubordinados e hostis que poderiam colocar a criança (ou os pais, ou ambos) em sérios problemas com o mestre de escravos” JOANNE M. MARTIN & ELMER P. MARTIN, THE HELPING TRADITION IN THE BLACK FAMILY AND COMMUNITY 24 (1985). JOANNE M. MARTIN & ELMER P. MARTIN, THE HELPING TRADITION IN THE BLACK FAMILY AND COMMUNITY 24 (1985).Mulheres negras contemporâneas reconhecem que bater e comportamentos similares são “tratados no contexto de cuidar das filhas (e outros membros da família) e tentar incutir a necessidade de estar preparada e de estar apta a lidar com uma sociedade onde as escolhas para mulheres negras são frequentemente entre o terrível e o péssimo” (N.T.: a expressão original foi “the choices for Black women are frequently between the dregs of the keg or the chaff from the wheat”). GLORIA 1. JOSEPH & JILL LEWIS, COMMON DIFFERENCES: CONFLICTS IN BLACK AND WHITE FEMINIST PERSPECTIVES 102 (1981).

(23) Nancy Boyd-Franklin, BLACK FAMILIES IN THERAPY: A MULTISYSTEMS APPROACH 5 (1989).

Resistência a terapia pode resultar de uma relutância em discutir problemas familiares com “pessoas de fora”, particularmente brancos, e de desconfiança em instituições brancas. Boyd-Franklin, supra em 19. Ao discutir essa resistência,  a terapeuta familiar negra Nancy Boyd-Franklin enfatiza a importância de uma relação pessoal com clientes negros e de granjeamento, não esperando sua confiança. Boyd- Franklin, supra em 164-65. Ela advoga por uma abordagem multissistêmica que incorpore técnicas de resolução de problemas e soluções concretas para problemas concretas, assim como adaptações de técnicas tradicionais de terapia familiar. Boyd-Franklin, supra em 158-75.

(24) PETER BELL ET AL., THE INSTITUTE ON BLACK CHEMICAL ABUSE, DEVELOPING CHEMICAL DEPENDENCY SERVICES FOR BLACK PEOPLE: A MANUAL 4-6 (1990).

(25) Veja generally HACKER, supra note 4 (uma análise compreensiva das disparidades entre a América branca e negra).

(26) O desemprego entre afro-americanos está em 14%, o que é duas vezes maior que o desemprego entre brancos. Um terço de todos os negros tem uma renda abaixo da linha da pobreza ($6,932 por ano para uma pessoa), onde apenas um décimo de todos os brancos vive abaixo da linha da pobreza. Black Women and Marriage, CAPITOL BULL. NO. 573 (Minnesota Women’s Consortium, St. Paul, Minn.), Dec. 30, 1992, em I (em arquivo com o Michigan Journal of Gender & Law).

(27) Afro-americanos constituem 50% dos presidiários mas são apenas 12% da população geral. Black Women and Marriage, supra note 24, em 1. Em Minnesota, apesar de apenas 2,2% da população do estado ser negra, 19% dos presos por “crimes sérios” são negros. Richard Chin, State’s Blacks Worse Of Than Blacks Elsewhere, ST. PAUL PIONEER PRESS, May 10, 1992, em IA, 10A.

(28) O sociólogo Herman J. Blake descobre que “nas taxas de mudança de 1950-1960, demoraria 60 anos de educação, 93 anos de ocupação, 219 anos de renda de pessoas e 805 anos em renda familiar” para que negros alcançassem paridade com brancos. MARTIN & MARTIN, supra note 20, em 88. Adicionalmente, Martin e Martin notam que ganhos feitos por negros nessas áreas durante as décadas de 1950 e 1960 foram feitos com mais rapidez do que seria possível hoje em dia. MARTIN & MARTIN, supra note 20, em 88.

*N.T. : Nota da tradutora

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